Dos doramas ao K-pop e às redes, rotinas coreanas, japonesas e brasileiras viraram tendência. Saiba como cada abordagem atua na pele e qual combina com suas necessidades.
Nas prateleiras de lojas de cosméticos, em perfumarias, nos e-commerces e nas redes sociais, nunca foi tão fácil encontrar produtos de skincare vindos de diferentes partes do mundo. Nos últimos cinco anos, especialmente, a beleza asiática ganhou ainda mais espaço entre os consumidores brasileiros, impulsionada pela popularidade dos doramas, do K-pop e pela descoberta de novos ingredientes, texturas e rituais virais.
Com a popularização, surgiram siglas e abordagens diferentes: K-beauty (Coreia do Sul), J-beauty (Japão) e B-beauty (Brasil). Cada uma parte de contextos culturais e necessidades regionais distintas, por isso não existe um modelo universal de cuidados com a pele — a rotina ideal precisa ser individualizada conforme as necessidades e a disponibilidade de tempo de cada pessoa, como destacou a dermatologista Alexandra Nishida, da Bussade Health e membro da SBD.
K-beauty: passos típicos
- Limpeza dupla — com cleansing oil e sabonete facial à base de água
- Esfoliante — remoção das células mortas
- Tônico — preparo da pele para os próximos passos
- Essência — hidratação leve e preparo
- Sérum de tratamento — foco em ativos específicos
- Máscara facial — tratamento concentrado
- Creme para a área dos olhos — proteção e hidratação local
- Hidratante — selagem da hidratação
- Protetor solar — proteção diária
Esse estilo, associado ao hanbang (medicina tradicional coreana), valoriza ativos de origem vegetal em concentrações variadas e a aplicação em camadas finas. Entre os pilares desse modelo estão a busca pelo equilíbrio da pele, prevenção do envelhecimento, uso de ativos multifuncionais, sinergia entre ingredientes, recuperação da barreira cutânea e resultados graduais, segundo Alexandra Nishida, que também é especialista em cuidados com a pele asiática.
J-beauty: passos essenciais
- Limpeza — remoção de impurezas
- Hidratação — fortalecimento da barreira cutânea
- Proteção solar — prevenção
O Japão prioriza o minimalismo. O método combina o fortalecimento da barreira cutânea e o uso de ingredientes tradicionais com fórmulas de alta concentração e tecnologia. Marcas e tradições locais tiveram papel importante na formação desse estilo. A Shiseido, por exemplo, aponta que
“as origens desses rituais remontam à época das gueixas, que utilizavam ingredientes disponíveis na região, como chá verde e óleo de camélia”.
B-beauty: o que define o skincare brasileiro
O B-beauty é plural: a miscigenação da população e o clima tropical influenciam fortemente as preferências e necessidades. Diferentemente da Coreia e do Japão, o mercado brasileiro não tem um foco único. O bronzeado é culturalmente relevante no país, o que contrasta com a ênfase em fotoproteção presente nas rotinas asiáticas, embora a exposição solar possa causar manchas e envelhecimento precoce.
A diversidade de tipos de pele — oleosas, normais, sensíveis e secas — também orienta o desenvolvimento de produtos no Brasil. Uma vantagem do mercado nacional é a possibilidade de manipular fórmulas para atender necessidades individuais, criando rotinas mais enxutas e ainda assim completas, como observa Alexandra Nishida.
Principais ativos citados
- Niacinamida — fortalece a barreira cutânea, ameniza linhas finas, controla oleosidade; ação clareadora, calmante e anti-inflamatória
- Ácido tranexâmico — auxilia no controle da pigmentação e no clareamento de manchas
- Chá verde — antioxidante, auxilia no controle da oleosidade e redução de manchas; ação anti-inflamatória e anti-idade
- Centella asiática — protege e recupera a pele, fortalece a barreira cutânea e apresenta ação anti-inflamatória
No Brasil, a popularização das rotinas asiáticas ampliou a oferta de produtos: entre 2025 e 2026, marcas como Laneige, Medicube, Celimax, SKIN1004, TIRTIR, Curél e TOCOBO passaram a disputar espaço com nomes já consolidados como Hada Labo, Bioré e Shiseido. A tendência é que esse mercado se torne cada vez mais amplo e acessível no país — acordos econômicos entre o Brasil e a Coreia do Sul, citados recentemente, podem ampliar, ao longo dos próximos anos, o acesso dos brasileiros a cosméticos coreanos.
No âmbito regulatório, a Anvisa também assinou um memorando de cooperação técnica com a Coreia do Sul com foco na harmonização das regras para cosméticos.

