Itabaiana · quarta-feira · 08 de julho de 2026
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As audiências do USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) sobre a investigação contra o Brasil terminam HOJE, 7 de julho de 2026. O governo americano investiga supostas práticas prejudiciais à relação bilateral entre os dois países. O agronegócio participou ativamente no primeiro dia de discussões, ocorrido na segunda-feira (6), apresentando argumentos técnicos e evitando críticas abertas ao Brasil.

Paulo Pupo, superintendente da Abimci (Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente), destacou que as discussões foram conduzidas em um nível técnico elevado, com menos perguntas capciosas, o que trouxe maior segurança ao diálogo com a autoridade americana.

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Além do senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), representantes do setor industrial brasileiro também estarão presentes nas audiências de HOJE. Os participantes manifestaram que a defesa do comércio exterior brasileiro incluirá não apenas a contestação da validade da investigação, mas também a ênfase na complementaridade entre os negócios do Brasil e dos EUA, além da longa tradição que sustenta essa relação comercial.

“A produção brasileira complementa a demanda dos EUA, suprindo necessidades que não são atendidas localmente”, afirmou Pupo, ressaltando que o produto brasileiro não compete diretamente com o que é produzido nos Estados Unidos.

A interdependência entre os setores é um ponto importante, conforme ressaltou Patricia Gomes, diretora de Comércio Exterior da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos). Segundo ela, 82% dos negócios do setor ocorrem entre empresas relacionadas do mesmo grupo, o que significa que qualquer impacto em um lado afetará o outro. “O comércio é complementar e tem uma cadeia produtiva integrada, portanto, qualquer efeito sobre ela promove desorganização e prejuízo para ambos os lados”, explicou.

Fausto Cançado, presidente do Sindifer (Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais), também comentou sobre a “tradição” na relação entre brasileiros e norte-americanos, destacando que o Brasil fornece ferro-gusa, matéria-prima fundamental para a produção de aço nos EUA.

Com os Estados Unidos atendendo apenas 6% de sua demanda com produção própria de ferro-gusa, as exportações brasileiras superam 60% do consumo norte-americano. A aplicação de uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, portanto, poderá encarecer os produtos para o consumidor norte-americano, caso não haja adaptação de mercado por parte dos importadores.

O consenso entre os produtores e compradores é de que taxar os produtos brasileiros não faz sentido, dada a relação comercial consolidada ao longo de décadas. Segundo Pupo, o insumo brasileiro é difícil de substituir e isso impacta todo o setor produtivo nos EUA, abrangendo desde a indústria até a agricultura e a infraestrutura.

“A relação comercial requer negociação e entendimento de médio/longo prazo. Muitos equipamentos exigem certificação, então é difícil fazer a substituição”, ponderou Gomes, referindo-se à complexidade do setor.

Por último, a audiência de HOJE representa a última oportunidade para a sociedade civil se manifestar oficialmente. Pupo considera esse um momento crucial para avaliar a posição da autoridade americana. O foco, segundo interlocutores do empresariado, deve ser discutir o relatório preliminar, sem incluir fatores políticos e ideológicos no debate.

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