Steve Witkoff, enviado da Casa Branca e ex-sócio de Trump, foi a São Petersburgo para prosseguir negociações sobre o fim da guerra na Ucrânia. No encontro, definiu Putin como 'humanitário' e o saudou.
Steve Witkoff, enviado da Casa Branca e antigo sócio do presidente, viajou a São Petersburgo para se encontrar com Vladimir Putin e dar sequência às negociações para o fim da guerra da Rússia contra a Ucrânia. Witkoff atuou como um dos principais negociadores de política externa do segundo mandato de Trump, .
Durante o encontro, Witkoff fez elogios a Putin, classificando-o como um humanitário.
“Você fala tanto sobre o meu presidente, o presidente Trump, ser um humanitário. O senhor também é um humanitário, e eu o saúdo por isso, o elogio e agradeço novamente.”
Witkoff não detalhou que tipo de valores humanistas atribuía a Putin. A guerra iniciada pela Rússia contra a Ucrânia já causou cerca de dois milhões de mortos — até o momento — e que há vasto registro de ataques russos a civis ucranianos em violação do direito internacional, além de décadas de repressão política e restrições à sociedade civil na Rússia.
Os comentários de Witkoff geraram reação nos Estados Unidos. Um senador republicano da Carolina do Norte repreendeu Witkoff em rede social, questionando a afirmação e pedindo que se buscasse o significado de “humanitário”.
“Que absurdo, Steve? Procure a definição de ‘humanitário’. Que coisa vergonhosa e ultrajante de se dizer. Você deveria voltar à Ucrânia e perguntar às famílias das crianças que Putin sequestrou e assassinou se elas concordam que seu amigo Putin é um ‘humanitário’.”
Outro senador republicano do Texas respondeu de forma mais direta.
“Não. Putin é um assassino a sangue frio.”
Um senador democrata do Arizona também contestou a caracterização de Putin como humanitário, lembrando assassinatos de rivais políticos e jornalistas, bombardeios a hospitais e a guerra que teria causado dezenas de milhares de vítimas inocentes, incluindo mulheres e crianças.
“Ele assassinou rivais políticos e jornalistas, bombardeou hospitais e iniciou uma guerra que matou intencionalmente dezenas de milhares de pessoas inocentes, incluindo mulheres e crianças. Ele é um criminoso de guerra.”
Após o encontro, Witkoff fez um breve balanço aos repórteres, afirmando acreditar que havia “algum impulso” nas conversas e expressando esperança de que aquele dia representasse mais um passo adiante no processo de paz e na discussão sobre como resolver o conflito ucraniano.
“Acredito haver algum impulso, e espero que o dia de hoje possa ser mais um passo adiante no processo de paz e na discussão sobre como resolver o conflito ucraniano.”
É importante notar que a Ucrânia não participou dessas negociações. Nas semanas anteriores, o governo Trump e aliados vinham enviando sinais ao Kremlin de apoio à Rússia; que o presidente Trump tentou culpar a Ucrânia pela crise de combustível e energia; que Trump revogou sanções contra exportações de petróleo russo; e que forças ucranianas relataram interrupção do acesso ao StarShield, atribuindo posteriormente a ordem de bloqueio a uma decisão de Elon Musk, que teria doado mais de US$ 200 milhões a campanhas republicanas. Relatos adicionais indicaram propostas de reuniões trilaterais envolvendo Estados Unidos, China e Rússia, sem a presença da Ucrânia, além de indicações de que Putin concordou em retomar negociações com Estados Unidos e Ucrânia.
O presidente ucraniano disse estar aberto a negociar em qualquer formato, mas pediu para que não se fale da Ucrânia sem consultá-la.
“Estamos abertos a negociar em qualquer formato, sobre qualquer assunto, mas, por favor, não falem de nós sem nos consultar.”
A Ucrânia enfrenta um inverno difícil, agravado pela crise energética, e que o desfecho do conflito pode depender de decisões tomadas pelo governo dos Estados Unidos.
