Autoridades confirmaram o primeiro caso do vírus em solo nigeriano em mais de uma década, em um surto de propagação recorde. A cepa mata cerca de metade dos infectados; não há tratamento ou vacina aprovados, e há preocupação com desinformação e falta de recursos.
A Nigéria registrou seu primeiro caso de ebola em mais de uma década, tornando-se o quarto país africano — e o mais populoso até o momento — a ser atingido por um surto que apresenta a propagação mais rápida já documentada, segundo autoridades de saúde. A cepa do vírus responsável por este surto mata cerca de metade dos infectados e não possui tratamento ou vacina aprovados.
Desde a confirmação dos primeiros casos na República Democrática do Congo, em maio, a doença já vitimou 4.646 pessoas. Autoridades de saúde manifestaram preocupação de que a desinformação e a falta de recursos financeiros possam impulsionar uma propagação ainda maior, tanto dentro da região quanto além de suas fronteiras.
“O ebola agora afeta três regiões da África. A situação exige uma ação urgente e liderança política no mais alto nível”
— Jean Kaseya, diretor-geral dos Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças, na rede social X, nesta quarta-feira (21).
O caso identificado na Nigéria envolve uma mulher ugandense que chegou a Abuja, a capital do país, vinda de Adis Abeba, no dia 5 de outubro, informou Odianosen Ehiakhamen, do Centro de Controle de Doenças da Nigéria, à emissora Arise TV, na terça-feira (20). Dois dias após sua chegada, ela começou a se sentir mal e, em 11 de outubro, buscou atendimento em um hospital particular em Abuja apresentando sintomas semelhantes aos da malária. Seu quadro clínico não apresentou melhora, relatou Ehiakhamen.
Ao tomarem conhecimento de que ela havia viajado recentemente para Uganda — um dos países afetados pelo surto atual — as autoridades de saúde realizaram um teste para ebola no dia 19 de outubro. O resultado positivo foi confirmado na terça-feira. As autoridades identificaram 44 pessoas que tiveram contato com ela, a maioria profissionais de saúde. Entre elas está o marido da paciente, um cidadão suíço que reside com ela em Abuja. As equipes também estão rastreando os passageiros que viajaram com a mulher, embora não acreditem que ela apresentasse sintomas durante o voo.
O ministro da Saúde da Nigéria, Muhammad Ali Pate, declarou à emissora pública NTA que a mulher encontra-se isolada e recebendo tratamento.
O Ministério da Saúde de Uganda informou que a mulher havia viajado para o Congo, onde mais de 9.500 casos de ebola foram registrados em oito províncias. Não ficou claro de imediato em quais locais do Congo ela esteve.
“O fato de ter passado por Uganda não significa que a infecção tenha ocorrido aqui”
— afirmou o Ministério da Saúde de Uganda, acrescentando que o país não apresenta casos ativos de ebola. Uganda registrou 20 casos em maio e junho, a maioria importada do Congo, e a Organização Mundial da Saúde declarou o país livre de ebola em agosto.
No início deste mês, o Quênia relatou seu primeiro caso de ebola, envolvendo um viajante que chegou do Congo passando por Uganda. Desde então, o país registrou nove casos, todos relacionados ao mesmo paciente, o que levantou questões sobre a eficácia dos sistemas de triagem nas fronteiras projetados para evitar a transmissão transfronteiriça.
Pate afirmou que a Nigéria conseguiu conter o ebola com sucesso em 2014, durante a epidemia na África Ocidental, e ressaltou que o país dispõe dos sistemas necessários para responder a este novo caso.
