O Pentágono marcou para 3 de dezembro a execução de Nidal Hasan em Fort Hood, a primeira execução militar nos EUA em mais de 60 anos. Hegseth diz que o fuzilamento será transmitido ao vivo.
A primeira execução militar nos Estados Unidos em mais de seis décadas será transmitida ao vivo. Na quinta-feira, o secretário de Defesa Pete Hegseth afirmou que a execução de Nidal Hasan por fuzilamento ocorrerá em Fort Hood no dia 3 de dezembro. Hasan foi condenado por matar 13 pessoas e ferir outras 32 em um ataque a tiros ocorrido em 2009 na base militar.
Questionado sobre o processo de decisão, Hegseth declarou que optou pelo pelotão de fuzilamento e defendeu que a execução seja pública para que as pessoas entendam as consequências de crimes graves.
“Nem precisava pensar. Execução por fuzilamento”.
“Vamos garantir que as pessoas possam assistir, que seja público, porque as pessoas precisam entender que há consequências sérias para esse tipo de coisa”.
Em mensagem publicada em rede social, foi reproduzida a fala sobre a execução que detalhava horário e local, além do formato com militares compondo o pelotão de fuzilamento.
“No-brainer—execution by firing squad… Of course we’re doing it at Fort Hood. We’re going to do it at 1 o’clock—which is when he did it. It’s going to be soldiers with rifles executing the firing squad.”
O presidente Donald Trump aprovou a execução por fuzilamento na segunda-feira. As Forças Armadas dos Estados Unidos não realizam uma execução com pena de morte desde 1961, e o anúncio vem acompanhado de questionamentos de especialistas em direito militar sobre se todos os procedimentos exigidos para determinar e autorizar uma execução foram observados.
Autoridades e pesquisadores também apontaram preocupações práticas e financeiras ligadas à adoção de métodos de execução pouco usados: será necessário desenvolver protocolos, adaptar ou construir instalações e investir recursos públicos para viabilizar esses procedimentos.
“Será preciso desenvolver protocolos e construir novas instalações para viabilizar o uso desses métodos de execução. A implementação desses novos métodos exigirá um investimento enorme de dinheiro dos contribuintes e de recursos públicos. E não acho que o público americano ficará satisfeito com a ideia de que é nisso que seus recursos e o dinheiro dos contribuintes estão sendo gastos”.
O tema remete ao posicionamento do presidente sobre a pena de morte: em seu primeiro governo, nos últimos seis meses, foram executadas 13 pessoas — número superior ao somatório das dez administrações presidenciais anteriores. Em 2023, foi noticiado que Trump manifestou interesse em retomar métodos como pelotões de fuzilamento, enforcamentos e até guilhotina, caso voltasse ao poder.
Em abril, o Departamento de Justiça anunciou a retomada dos fuzilamentos como método de execução para pessoas condenadas à morte. O anúncio atual sobre a transmissão ao vivo da execução em Fort Hood e a autorização presidencial intensificam o debate sobre legalidade, procedimentos militares e custos públicos envolvidos na implementação desses métodos.
Além das questões jurídicas e técnicas, observadores destacam o impacto simbólico de realizar e exibir uma execução militar após décadas sem sua aplicação, o que deve alimentar discussões públicas e avaliações institucionais nas próximas semanas.
