Em Zurique (27), Alison fez 45s80 nos 400 m com barreiras e colocou o Brasil novamente entre recordistas mundiais após quase 30 anos. Revelado no judô, superou um acidente na infância e ganhou destaque em São Paulo.
Foram quase três décadas de espera até que o Brasil voltasse a ter um nome entre os recordistas mundiais do atletismo. Coube a Alison dos Santos, natural de São Joaquim da Barra, confirmar esse retorno ao quebrar a barreira dos 46 segundos nos 400 metros com barreiras, ao cronometrar 45s80 em Zurique, na última quinta-feira (27).
Alison começou no esporte pelo judô e, ainda criança, conviveu com marcas no corpo resultantes de um acidente doméstico. Aos 15 anos, mudou-se para São Paulo e passou a treinar com Felipe de Siqueira. Ao longo da carreira, ganhou confiança e também visibilidade por características pessoais, como as dancinhas pré-prova e o visual com cabelos coloridos.
Como atleta, tornou-se presença constante no pódio dos 400 m com barreiras. Aos 19 anos, conquistou ouro nos Jogos Pan-Americanos de Lima. Em sua estreia olímpica, obteve a medalha de bronze, e o trio formado por Karsten Warholm, Rai Benjamin e Alison voltou a ocupar o pódio nos Jogos de Paris 2024, com novo bronze para o brasileiro.
A temporada de 2026 evidenciou a continuidade da evolução de Alison. Desde o início do ano, ele e a equipe definiram metas para reduzir o tempo, e a sequência de resultados confirmou esse objetivo. Em julho, competindo no Troféu Brasil pela primeira vez naquele evento, registrou o melhor tempo do ano: 46.48. Um mês depois, venceu a etapa da Silésia da Diamond League com 46.43. Em Zurique, alcançou a marca histórica de 45s80, diminuindo em 14 centésimos o recorde anterior.
O recorde anterior de Karsten Warholm estava em vigor havia seis anos, após evoluções que começaram em julho de 2021, quando Warholm correu para 46s70, e seguiram nos Jogos Olímpicos de Tóquio, quando o norueguês marcou 45s94 e se tornou o primeiro homem a baixar dos 46 segundos nos 400 m com barreiras.
Principais marcas de Alison em 2026
- 46.48 – Troféu Brasil (julho)
- 46.43 – Etapa da Silésia da Diamond League (agosto)
- 45.80 – Zurique (última quinta-feira, 27)
Vitórias na Diamond League em 2026
- Shaoxing
- Xiamen
- Oslo
- Silésia
- Zurique
A nova marca consolidou a chamada era do “Big Three”, formada por Warholm, Benjamin e Alison, e estabeleceu o brasileiro como o novo barreirista mais rápido do mundo. Na temporada, o atleta soma cinco títulos em etapas da Diamond League e chega à final como favorito ao título.
Além do prestígio nas pistas, houve reflexos financeiros: a quebra do recorde mundial em Zurique rendeu ao atleta uma premiação de 80 mil dólares (cerca de 413 mil reais, na cotação atual) concedida pela associação internacional de atletismo. A vitória na etapa da Diamond League também lhe garantiu 10 mil dólares (cerca de 51 mil reais).
O desempenho de Alison dos Santos em 2026 reforça a presença brasileira entre os melhores do mundo nos 400 m com barreiras e aponta para expectativas altas nas próximas competições da temporada.
