Itabaiana · terça-feira · 22 de setembro de 2026
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Mais da metade dos pais rastreia filhos adultos pelo celular, mas o efeito pode ser oposto ao esperado. Estudo dos EUA mostra que 1 em cada 4 pais se sente mais angustiado com a prática.

O rastreamento da localização por smartphone pode proporcionar aos pais alguma tranquilidade em relação ao paradeiro de seus filhos menores de idade. Algumas famílias podem até tornar esse uso obrigatório para seus filhos. Mas o que acontece quando os pais decidem monitorar seus filhos adultos? Isso alivia as preocupações ou gera mais angústia?

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Uma nova pesquisa do Hospital Infantil CS Mott da Universidade de Michigan, em Ann Arbor, revelou que mais da metade dos pais monitora seus filhos adultos utilizando tecnologia digital. Contudo, cerca de 25% desses pais relataram que essa prática, em vez de tranquilizá-los, pode aumentar suas apreensões.

“Esse tipo de monitoramento pode alimentar e causar ansiedade nos pais, porque quando você só tem um dado, seu cérebro precisa preencher o resto”, disse Kara Alaimo, professora de comunicação na Universidade Fairleigh Dickinson, em Nova Jersey.

A pesquisa mostrou que aproximadamente 68% dos pais utilizam o rastreamento para aliviar suas próprias preocupações, enquanto 64% o fazem em caso de emergências. Além disso, 17% afirmaram usar a tecnologia para garantir que seu filho, já adulto, esteja em um local que consideram seguro.

Sarah Clark, pesquisadora da Universidade de Michigan e codiretora da pesquisa, acredita que nenhum dos motivos apresentados justifica o monitoramento de filhos adultos. Ela ressalta que, sem uma comunicação clara e limites definidos, o rastreamento pode prejudicar o relacionamento entre pais e filhos, além de inibir o desenvolvimento do pensamento crítico e da autonomia nos jovens adultos.

“Não estou sugerindo que todo rastreamento de localização seja ruim, mas pode facilmente entrar em um território problemático quando os pais se intrometem na vida dos filhos”, afirmou Clark.

Os motivos mais citados pelos pais para o rastreamento — tranquilidade e segurança — revelam a importância da proteção para esses adultos. A pesquisa incluiu respostas de mais de 1.500 pais com filhos entre 18 e 25 anos. Clark e Alaimo alertam que os pais não devem superestimar sua capacidade de garantir a segurança dos filhos à distância. O rastreamento pode criar uma falsa sensação de segurança.

“Só porque você está rastreando alguém não significa que você entende a situação e está lá para intervir”, disse Clark.

A criação superprotetora pode não ensinar as crianças a serem autônomas, e a especialista Alaimo sugere que os pais devem incentivar os jovens a tomarem decisões responsáveis por si mesmos. Ela acredita que, ao invés de depender do rastreamento, é importante preparar os filhos para reconhecer situações potencialmente perigosas.

Quase todos os participantes da pesquisa informaram que seus filhos sabiam sobre o rastreamento, mas apenas metade dos pais afirmaram que essa prática era opcional. Clark destacou a necessidade de diálogo entre as famílias sobre a adequação do monitoramento à medida que os filhos se tornam adultos.

“A falta de diálogo realmente me incomoda. Não é que as crianças não soubessem, mas simplesmente não tiveram participação na definição de como isso seria”, disse Clark.

Os especialistas concluem que o rastreamento de localização pode ser benéfico, mas deve ser realizado de forma transparente, construindo confiança entre pais e filhos. Alaimo sugere que o monitoramento pode ser útil em situações específicas, como quando um filho sai para um primeiro encontro. No entanto, essa não deve ser a única estratégia de segurança adotada.

Clark recomenda que os pais incentivem a comunicação regular com seus filhos adultos, sem a necessidade de vigilância constante. Para iniciar essas conversas, ela sugere que os pais reflitam sobre suas próprias experiências de juventude, quando não havia a tecnologia atual para monitoramento.

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Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

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