Personagens como Ryu e Ken brilham pela fidelidade aos games, arrancando aplausos da plateia. Mas a edição acelerada e o ritmo cansativo testam a paciência — a nostalgia basta?
Street Fighter (2026) chega aos cinemas prometendo ser a adaptação que fãs esperam desde os anos 90. Em vários pontos o filme cumpre essa promessa: Ryu e Ken, vividos por Andrew Koji e Noah Centineo, têm personalidade e passado tão fiéis aos jogos que chegam a arrancar aplausos do público nostálgico.
O problema está no que cerca esses acertos. Com uma edição que lembra um feed de vídeos curtos passando em alta velocidade e mais de duas horas de duração, o longa transforma momentos de diversão em cansaço. A pergunta que fica é se a nostalgia será suficiente para sustentar a experiência.
O melhor do filme são, sem dúvida, os personagens. As origens e motivações de cada lutador são respeitadas, e a rivalidade entre Ryu e Ken tem química. Quem jogou Street Fighter reconhecerá traços, poses e até ideias visuais mais absurdas extraídas direto dos games. O tom irreverente, que ri de si mesmo, combina com o universo das lutas: algumas piadas funcionam, outras não, mas a personalidade está presente.
As sequências em animação 2D — usadas em flashbacks para contar o passado dos personagens — são o coração emocional do filme. Enquanto a parte filmada aposta no deboche e na pancadaria, o anime traz um clima mais sério e dá peso às histórias individuais. Esses trechos se destacam e deixam a sensação de que poderiam ocupar mais espaço na montagem.
Na contramão, a história existe basicamente para justificar as lutas. O torneio não tem o peso dramático necessário, personagens entram e saem sem razões claras, e o roteiro parece mais preocupado em encaixar figurantes do que em contar algo consistente. A edição agravou o problema: cortes rápidos demais prejudicam a clareza da ação e transformam a duração em teste de paciência.
Alguns momentos não funcionam, como a versão de Blanka, que provoca mais vergonha alheia do que humor, e Bison, cujas reações exageradas acabam cansando. A trilha sonora, recheada de hits dos anos 90 como Soundgarden, 2Pac e The Offspring, evidencia a aposta na nostalgia — funciona para evocar uma era, mas também deixa explícito o cálculo por trás do filme.
A presença de Cody Rhodes e Roman Reigns aparece como parceria comercial; nenhum dos dois se destaca de forma marcante. O filme ainda brinca, sem disfarce, com o subtexto homoerótico tradicional do gênero: corpos treinados e lutando próximos são tratados com piada aberta e rendem alguns dos momentos mais autoconscientes do longa.
Veredito: vale para fãs dos games, para quem curte estética dos anos 90 e busca um filme para desligar o cérebro e aproveitar referências. Não vale para quem espera história bem construída, edição que respeite a leitura das lutas ou combate filmado com clareza. Nota: 5/10.
