Campanhas voltaram, mas mensagens não chegam às jovens. Pesquisa revela que muitas brasileiras de 16 a 24 anos desconhecem ou têm dúvidas sobre como reduzir o risco da doença.
Com a chegada de campanhas sobre câncer de mama, a conversa sobre prevenção volta à pauta — e uma pesquisa recente revela que essas mensagens não estão chegando com facilidade às mais jovens. O levantamento aponta que 60% das brasileiras entre 16 e 24 anos dizem não saber ou têm dúvidas sobre como prevenir a doença.
Distribuição do conhecimento entre as jovens
- 41% afirmam não conhecer as formas de prevenção;
- 19% relatam ter dúvidas sobre prevenção;
- 37% dizem saber como reduzir os riscos;
- 3% não souberam ou não quiseram responder.
Esse nível de conhecimento declarado entre as jovens fica 21 pontos percentuais abaixo da média feminina nacional, que é de 58%, o que acende um alerta sobre acesso à informação sem transformar o cuidado com a saúde em cobrança.
Conhecimento por faixas etárias
- 25 a 40 anos: 57% afirmam conhecer formas de prevenção;
- 41 a 59 anos: 66% afirmam conhecer;
- 60 anos ou mais: 58% afirmam conhecer.
Importante destacar que esses números refletem o que as entrevistadas dizem saber sobre prevenção, e não o resultado de um teste prático ou avaliação de conhecimentos.
A pesquisa ouviu presencialmente 2.015 pessoas a partir dos 16 anos, nas 27 unidades da Federação, entre 25 e 30 de junho de 2026. Do total, 1.038 eram mulheres. A margem de erro informada para o conjunto feminino é de 3 pontos percentuais; não foi apresentada margem específica para as mulheres de 16 a 24 anos.
Prevenção x detecção precoce
O estudo ressalta a diferença entre prevenir o surgimento da doença e identificar um câncer já instalado em estágio inicial:
Prevenção significa reduzir as chances de desenvolver a doença.
Detecção precoce significa identificar um câncer que já surgiu, para permitir início mais cedo do tratamento.
Exames como mamografia e ultrassom fazem parte da detecção precoce; eles não impedem que um tumor apareça. Já o autoexame, frequentemente associado a campanhas, não deve ser apresentado como método de prevenção: estudos não demonstraram redução da mortalidade com a prática sistemática do autoexame. A orientação é conhecer as próprias mamas, observando e tocando quando a pessoa se sentir confortável, sem necessidade de seguir técnica ou calendário rígido.
Hábitos e comportamentos na faixa 16–24 anos
- 52% dizem consumir ultraprocessados em três ou mais dias da semana (média nacional: 33%);
- 19% relatam usar tabaco ou cigarros eletrônicos (média total: 17%);
- 44% afirmam consumir bebidas alcoólicas (média geral: 41%);
- 35% dizem nunca praticar atividade física (média geral: 42%).
Esses comportamentos descrevem tendências populacionais e não permitem calcular risco individual nem prever quem vai desenvolver a doença. Especialistas destacam a importância de hábitos de cuidado desde cedo: atividade física, atenção à alimentação e redução do álcool e do tabaco.
Sinais que merecem avaliação
- Caroço endurecido ou que aumenta de tamanho;
- Mudanças no formato do mamilo;
- Retrações na pele, aspecto de “casca de laranja”;
- Saída de secreção com sangue pelo mamilo.
A orientação é buscar avaliação profissional diante de qualquer alteração suspeita, em qualquer idade. A pesquisa também indica que 20% das entrevistadas de 16 a 24 anos disseram já ter feito mamografia, sem detalhar o motivo do exame.
A conclusão é que a conversa sobre câncer de mama entre jovens precisa aumentar, com informação clara, espaço para dúvidas e acesso ao atendimento — sem promessas de proteção absoluta ou culpabilização. Informar e facilitar o cuidado são passos essenciais para a saúde coletiva.
