Neurologista Gustavo Souto, do HUL-UFS, diz que pressão alta, tabagismo, sedentarismo e distúrbios do sono elevam o risco de AVC. Controle esses fatores e aprenda a reconhecer os sinais rapidamente.
A pressão alta, o tabagismo, o sedentarismo e distúrbios do sono estão entre os fatores que aumentam o risco de acidente vascular cerebral (AVC), alerta o neurologista Gustavo Souto, do Hospital Universitário de Lagarto (HUL-UFS/HU Brasil). Em alusão ao Dia Mundial e Nacional de Prevenção ao AVC, celebrado em 29 de outubro, o especialista enfatiza a importância de controlar esses fatores e reconhecer rapidamente os sintomas.
O sono desempenha um papel fundamental na saúde do cérebro e do coração. Durante o sono, nosso organismo realiza processos importantes de recuperação. Quando esse descanso é comprometido, especialmente pela apneia obstrutiva do sono, podemos ter consequências importantes para a saúde, como o aumento da pressão arterial e a predisposição a arritmias cardíacas, por exemplo. Essas alterações podem contribuir para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e aumentar o risco de AVC
Segundo o neurologista, a hipertensão arterial é um dos principais fatores de risco modificáveis para o AVC, tanto isquêmico quanto hemorrágico. Como geralmente não provoca sintomas, a pressão alta pode permanecer sem controle por anos, causando danos aos vasos sanguíneos. Outros fatores citados incluem colesterol elevado, diabetes e determinadas arritmias cardíacas, especialmente a fibrilação atrial, que pode favorecer a formação de coágulos capazes de alcançar o cérebro.
O mesmo ocorre com outros fatores de risco, como colesterol elevado, diabetes e determinadas arritmias cardíacas, especialmente a fibrilação atrial, que pode favorecer a formação de coágulos capazes de alcançar o cérebro
As medidas de prevenção recomendadas são acompanhamento médico regular, controle da pressão arterial, alimentação equilibrada, prática habitual de atividade física e abandono do cigarro. O consumo excessivo de álcool deve ser evitado, por estar associado ao aumento da pressão arterial, a arritmias e à piora da qualidade do sono. O neurologista reforça que a atividade física não precisa ser intensa no início: o ideal é encontrar uma prática prazerosa e sustentável.
Não é necessário começar praticando exercícios intensos. O ideal é que o paciente encontre uma atividade que lhe traga prazer e não a sensação de obrigação
Há dois tipos principais de AVC: o isquêmico, causado pela obstrução de uma artéria por um coágulo, e o hemorrágico, provocado pelo rompimento de um vaso com sangramento no cérebro ou ao seu redor. Ambos podem causar sequelas graves e morte. O especialista destaca que não é possível diferenciar com segurança os dois tipos apenas pelos sinais clínicos, sendo a tomografia de crânio essencial para o diagnóstico e a definição do tratamento.
Um ponto importante é que não conseguimos diferenciar com segurança os dois tipos apenas pelos sintomas. Por isso, a realização de exames de imagem, especialmente a tomografia de crânio, é fundamental para definir o diagnóstico e orientar o tratamento adequado
Os sinais de alerta incluem fraqueza súbita, desvio da boca, dificuldade para falar ou compreender, perda da visão e alterações intensas no equilíbrio ou na marcha. Uma forma simples de verificar alguns desses sinais é pedir que a pessoa sorria, levante os dois braços e repita uma frase: assimetria facial, fraqueza em um dos braços ou alteração da fala exigem atendimento imediato.
Na neurologia, costumamos utilizar uma expressão muito importante: ‘Tempo é cérebro’. Isso significa que, a cada minuto em que uma região cerebral permanece sem receber sangue adequadamente, milhares de células nervosas podem sofrer danos irreversíveis
Diante da suspeita de AVC, a orientação é acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo número 192. O atendimento rápido amplia as possibilidades de tratamento, como medicamentos para dissolver coágulos ou procedimentos para remover obstruções, e pode reduzir o risco de sequelas permanentes. O neurologista ressalta que muitos casos podem ser prevenidos e que reconhecer cedo os sinais faz diferença entre recuperação satisfatória e incapacidade permanente.
Isso é fundamental porque existem tratamentos capazes de reduzir significativamente as sequelas, especialmente no AVC isquêmico. Em pacientes selecionados, podemos utilizar medicamentos para dissolver o coágulo ou realizar procedimentos para retirar a obstrução da artéria
