A FIA divulgou nota defendendo o processo que levou à perda do pódio de Pierre Gasly. Segundo a entidade, não houve objeção à composição do painel na audiência e a acusação de ligação com a McLaren foi rebatida.
HOJE, a FIA divulgou um comunicado para rebater as críticas feitas por Flavio Briatore sobre a independência dos juízes no caso que levou à perda do pódio de Pierre Gasly no GP de Mônaco. A entidade defendeu o processo e afirmou que, durante a audiência, nenhuma das partes levantou objeção à composição do painel.
As críticas de Briatore surgiram na coletiva de imprensa dos chefes de equipe, realizada nesta sexta-feira, durante o GP da Itália. O chefe da Alpine questionou a imparcialidade de um dos quatro juízes que avaliaram o caso, alegando ligação desse integrante com a McLaren. A McLaren e a Red Bull haviam solicitado a revisão que resultou na restauração das sanções a Gasly.
“Os Tribunais da FIA estão cientes dos comentários públicos que questionam a independência e a imparcialidade dos juízes do painel que decidiu o Caso ICA-2026-06-07-08-09. Os Tribunais da FIA esclarecem que a nomeação e a participação dos juízes nesse caso, assim como em qualquer outro, seguiram os procedimentos judiciais aplicáveis e a prática habitual, baseados nos mais altos padrões, como as Diretrizes da IBA sobre conflitos de interesse em arbitragem internacional. Todos os juízes são eleitos pelas Assembleias Gerais da FIA. Eles estão sujeitos às exigências de independência e confidencialidade previstas nas regras judiciais e disciplinares da FIA, fazem declarações anuais de interesses ao responsável de Compliance da FIA e assinam uma declaração específica de independência para cada caso, considerando as questões envolvidas e as partes. Tanto no início quanto no fim da audiência, as partes foram convidadas a levantar qualquer questão relacionada ao procedimento ou à composição do Tribunal. Nenhuma o fez. Também não houve objeção durante a audiência à maneira como o Tribunal questionou as testemunhas ou conduziu os procedimentos. O Tribunal reforça a importância de formar painéis com juízes de diferentes origens culturais e geográficas, o que contribui para a diversidade de tradições jurídicas, perspectivas e abordagens e fortalece a imparcialidade e a independência do processo. Uma decisão pode gerar diferentes interpretações e comentários sobre seus méritos jurídicos; isso é legítimo e aceito pelos juízes. O Tribunal está confiante na solidez do processo e na integridade dos juízes e permanece comprometido com a independência e a imparcialidade de seus integrantes”.
O caso tem origem no GP de Mônaco, realizado em 7 de junho, quando vários pilotos foram punidos por excederem limites de velocidade nos boxes. Pierre Gasly, da Alpine, cruzou a linha de chegada em terceiro, mas recebeu uma penalidade de dez segundos que o deixou em sétimo lugar. A Alpine pediu a anulação das punições e, inicialmente, foi atendida. Entretanto, nesta sexta-feira a FIA voltou atrás e restabeleceu a penalidade a partir da audiência da Corte Internacional de Apelação (ICA), sucedendo o apelo conjunto da McLaren e da Red Bull.
Com a decisão da ICA, Gasly perdeu o pódio obtido na prova, e Isack Hadjar, da equipe austríaca, passou a ocupar a terceira posição. O pódio do GP de Mônaco de 2026 ficou com Andrea Kimi Antonelli em primeiro, Lewis Hamilton em segundo e Isack Hadjar em terceiro.
“Desculpe, mas isso é muito injusto. Aceitamos a decisão, mas o que é muito estranho é que, dos quatro juízes do painel, um deles age como um promotor; ele tem uma ligação muito forte com a McLaren, pois temos uma bela foto desse cara no discurso para a McLaren em 2018, na McLaren Special Operations (MSO), em Beverly Hills. Ele tem uma fundação chamada One Drop Foundation, e a McLaren doou um carro para ele. Isso é bastante injusto: um dos juízes estava ligado a uma equipe que protestava contra nós”, declarou Briatore, acrescentando:
“Esse juiz foi muito desagradável durante a audiência. Depois, descobrimos o motivo pelo qual ele foi tão desagradável. Independentemente do que (Andrea) Stella (chefe da McLaren) diga em nome do esporte, minha primeira reflexão sobre o julgamento é que é preciso ser independente. Os pontos 1, 1.2, 3, 4 e 5 (do regulamento) não me importam. Fomos à audiência com a McLaren e achamos muito estranho, porque esse juiz não era um juiz; ele era um promotor. A decisão em Mônaco foi tomada pelas mesmas pessoas, pois os comissários de que estamos falando são os mesmos. Eu aceito tudo. O que não aceito é quando se trata do juiz. Nossa grande dúvida é esta: por que alguém ligado à McLaren fazia parte do painel neste caso?”
Briatore afirmou ainda que a Alpine aceita a decisão da Corte Internacional de Apelação da FIA, que julgou o caso no dia 25 de agosto, mas que a maior insatisfação da equipe é com a composição do painel. Em suas declarações finais, ele disse:
“Aceitamos o resultado da audiência. O que foi muito decepcionante foi descobrir que um dos juízes tem um ótimo relacionamento com a McLaren, um relacionamento profissional, por assim dizer. O painel deveria ser totalmente independente, e não se precisa de alguém ligado a alguma equipe, especialmente à equipe envolvida conosco nesta situação. Só isso. Nada mais. Agora vamos ver. Vamos pensar no que podemos f”
O episódio segue em destaque na pauta das equipes e nos debates sobre procedimentos e transparência em julgamentos esportivos. A posição oficial da FIA e as críticas públicas sobre a composição do painel mostram que a discussão continuará a envolver órgãos judiciais e participantes do automobilismo.

