O ex-atacante Mirandinha, primeiro brasileiro a jogar na Inglaterra, dirige a base do Genus em Rondônia e transmite experiência aos jovens. Relembrou ter recebido 7 mil libras por semana e comparou com os salários atuais.
Mirandinha, o primeiro brasileiro a atuar na Inglaterra em 1987, está hoje à frente da base do Genus, de Rondônia. O time entra em campo nesta quarta-feira (9) na Copa do Brasil Sub-20, e o ex-atacante, contratado à época pelo Newcastle por 900 mil dólares, tenta transmitir sua experiência aos jovens jogadores.
O ex-jogador relembrou o salário que recebeu na Inglaterra e comentou a diferença para os valores atuais da liga inglesa. Na época, recebeu o que chamou de remuneração “irrecusável” de sete mil libras por semana. Ao comparar com a atualidade, citou números bem superiores em atividade hoje na Premier League.
“Hoje é salário de Sub-20 na Inglaterra. O Bruno Guimarães ganhava 160 mil libras por semana no Newcastle. Você vê a disparidade. Os números são muito além do que eu ganhei na época”.
Mirandinha contou detalhes sobre como surgiu a transferência para o futebol inglês: a chance apareceu por meio de um aluno de intercâmbio, filho de um conselheiro do Palmeiras, que levou fitas, recortes e ajudou a expor seu trabalho. Ele foi convocado para a Seleção principal e, após se destacar contra Inglaterra e Escócia, despertou o interesse do Newcastle, que fechou o negócio.
“A minha ida foi até para mim surpresa. Eu vinha pensando em jogar na Europa, mas surgiu possibilidade a partir de um aluno de intercâmbio… Fui escolhido melhor em campo contra Inglaterra e Escócia, o interesse cresceu muito e eles fecharam negócio. Fui com toda mordomia do clube, bangalô para morar com a família, com gramado em casa para os meus filhos”.
Foram duas temporadas pelo Newcastle. Mirandinha afirmou se arrepender de ter retornado emprestado ao Palmeiras em meados de 1989, mesmo com um ano e meio de contrato com o clube inglês por cumprir. Ele também manifestou gratidão pelo clube brasileiro, que considera o mais importante de sua carreira no Brasil.
“Me ofereceram contrato de cinco anos para eu retornar, e eu neguei o Newcastle para seguir no Palmeiras sonhando com a Copa de 1990, que não aconteceu. Fui hiper desvalorizado. Não joguei a Copa e, do Palmeiras, fui para Portugal sem brilho. Começou ali minha caminhada para encerrar a carreira”.
No contato com o futebol atual, Mirandinha disse acompanhar sempre que pode as partidas do Newcastle e manter carinho pelo clube. Ele também destacou admiração por dois atacantes brasileiros: Igor Thiago, do Brentford, e Vitor Roque, do Palmeiras, apontando semelhanças no estilo de jogo.
Segundo os dados citados, Igor Thiago está no Brentford desde a temporada 2024/2025, com 52 jogos e 26 gols; Vitor Roque atua no Palmeiras desde 2025, com 87 jogos e 27 gols. Mirandinha, por sua vez, vestiu a camisa do Newcastle em 60 oportunidades e marcou 21 gols.
Aos 67 anos, Mirandinha chegou há cinco meses ao Genus e aceitou o trabalho na base por acreditar no projeto do clube. Ele afirmou ter longa trajetória como treinador e citou passagens recentes.
“Eu sou treinador há 30 anos. Hoje eu dirijo o Genus de Porto Velho através do convite de um amigo para fazer um trabalho na base. Resolvi vir para Rondônia por acreditar no projeto do clube. Fiz o último trabalho no 4 de Julho. Meu filho me convidou para o projeto no interior de São Paulo com formação de talentos e disputa as categorias de base e só há cinco meses estou em Rondônia”.
O Genus enfrenta o São Raimundo-RR às 20 horas pela primeira fase da Copa do Brasil Sub-20.

