A filosofia do técnico Eduardo Domínguez encaixou-se no Atlético-MG e tem resultado em estabilidade: o time soma uma invencibilidade de 12 jogos, a maior sequência da Série A. Esse momento de resistência tem sido identificado pelos torcedores como o “barbabol” — um estilo marcado por organização defensiva e transições mais diretas ao ataque.
Quando Domínguez chegou ao clube, seu modelo de jogo foi recebido com desconfiança por ser menos focado na posse e mais centrado na marcação e no jogo direto, características diferentes do estilo do antecessor. Com a evolução tática apresentada ao longo do trabalho, especialmente após a Copa do Mundo, o time passou a dar sinais claros de adaptação: nesses 12 jogos sem perder, a equipe sofreu apenas 7 gols.
O comentarista Henrique Fernandes avaliou as mudanças e explicou por que o novo padrão tem funcionado. Segundo ele, o Atlético está mais equilibrado e organizado defensivamente, ao contrário de formações anteriores do clube que chamavam atenção pelo volume ofensivo. A partir dessa abordagem, o torcedor acabou rotulando o estilo como uma identidade do treinador.
“A gente tem visto o Atlético mais equilibrado e organizado defensivamente, algo que foge um pouco dos melhores times montados recentemente pelo clube, como 2013 e 2021. Times que chamavam a atenção mais pelo volume de jogo e criação de oportunidades do que por uma mentalidade mais consistente na defesa. Considero que esse contraste leva o torcedor a classificar como um ‘estilo’ de jogo, algo que nada mais é do que a forma de ver futebol do Eduardo Domínguez.”
Na prática, a equipe prioriza bloqueios e contenção: sem a bola, Renan Lodi e Cuello ajudam na marcação pelas laterais; com a posse, recebem liberdade para avançar e conectar jogadas. O uso dos alas e a polivalência dos atletas foram destacados como pontos centrais dessa leitura tática.
“Vejo como um modelo com muita doação dos jogadores na marcação e bom controle do espaço para impedir que os adversários consigam ser perigosos em zonas mais adiantadas do campo. Os ataques são mais diretos, utilizando bem os ‘alas’, que têm muito mais liberdade para avançar, com Renan Lodi e Cuello sendo os que melhor conseguem fazer isso.”
O comentarista também comentou o meio-campo e a chegada de reforços: a ideia é ter boa gestão da bola na saída com Maycon e Castaño, enquanto Bernard atua mais avançado para conectar as jogadas. Com a chegada de Fred, que deve se tornar titular, a posse média do time tende a subir.
“No meio-campo, a ideia é ter boa gestão da bola na saída com Maycon e Castaño, enquanto Bernard é o meia mais avançado que flutua para conectar as jogadas de frente. Com a chegada do Fred, veremos os dois dividindo mais essa tarefa. É natural que a posse de bola média do time suba um pouco nesse novo encaixe.”
Apesar dos avanços, há lacunas apontadas. No pós-Copa, Domínguez tem 60% de aproveitamento num recorte de 10 jogos — com 4 vitórias e 6 empates —, mas o setor defensivo sofre com lesões: os zagueiros Léo Duarte (lesão muscular na coxa direita) e Lyanco (ruptura da fáscia plantar do pé esquerdo) estão no departamento médico. Também há questão ofensiva: o titular Cassierra passa por um jejum de 14 jogos sem marcar.
“Vejo duas lacunas no time. Um zagueiro canhoto que possa qualificar ainda mais a saída de bola e explorar melhor uma saída ‘por fora’ com Renan Lodi… A maior necessidade de momento é um centroavante. Entre as três opções, vejo Cassierra como o que mais gera jogo por ali, entendendo melhor os movimentos dos companheiros que o apoiam. A questão é a falta de gols.”
Em resumo, o “barbabol” explica a mudança de identidade: um Atlético mais compacto e pragmático, com resultados que sustentam a maior sequência invicta do Campeonato. Resta ao treinador e ao elenco ajustar detalhes na defesa e buscar uma solução ofensiva que transforme as boas chances em gols.

