Itabaiana · quarta-feira · 08 de julho de 2026
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Durante a Idade do Ferro, guerreiros nômades conhecidos como citas percorriam a estepe eurasiática a cavalo. Dentro dessa cultura, uma elite detinha o poder e seu status elevado era celebrado após a morte com sepultamentos suntuosos. Um dos mais icônicos é o do ‘Homem de Ouro’, cujo túmulo continha armas de ferro, artefatos de bronze, uma tigela de prata e mais de 4.000 ornamentos de ouro.

Recentemente, análises genéticas revelaram que os citas da alta classe, como o Homem de Ouro, herdaram seu status e compartilharam o poder com seus parentes. Isso sugere a existência de um nível de estratificação social que não era visto na região durante a Idade do Bronze. Os cientistas, ao comparar o DNA de dezenas de indivíduos de diferentes sítios funerários, descobriram conexões familiares entre as elites citas, mesmo entre grupos distantes, moldando assim a desigualdade que emergiu nesse período.

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As descobertas foram publicadas na revista Science Advances e oferecem a primeira evidência de que as elites citas eram aparentadas. Uma análise mais aprofundada sobre o Homem de Ouro, cujo túmulo data de cerca de 400 a.C. a 300 a.C. e foi escavado em 1969 no Cazaquistão, revelou que, apesar do nome que sugere um gênero masculino, os pesquisadores inicialmente não tinham certeza se se tratava de um homem ou uma mulher. Usando métodos avançados de análise de DNA, os cientistas concluíram que o Homem de Ouro era provavelmente do sexo masculino e pertencia a um subgrupo meridional dos citas chamado Sacas.

“Este artigo faz um trabalho fantástico ao integrar descobertas genéticas, arqueológicas e textuais para apoiar suas interpretações sobre o status baseado em linhagem”, afirma Alicia R. Ventresca-Miller, professora associada de antropologia na Universidade de Michigan.

Para a pesquisa, os cientistas analisaram amostras de DNA de 85 indivíduos, sendo 38 de sepulturas de elite e 47 não pertencentes à elite. Embora as populações da Idade do Ferro fossem mais geneticamente diversas do que as da Idade do Bronze, o DNA das elites apresentava semelhanças, indicando ancestralidade comum. Essa homogeneidade sugere que os indivíduos de alto status formavam um subgrupo genético dentro das populações, ressaltando o papel das elites na continuidade genética durante um período de intensa miscigenação.

Os túmulos de elite, conhecidos como kurgans, eram estruturas imensas, frequentemente medindo até 15 metros de altura. Eles costumavam incluir corredores, catacumbas e câmaras laterais com restos mortais de animais ou parentes. As práticas funerárias, como a mumificação e a trepanação post-mortem, eram comuns e ajudavam a preservar os corpos para as elaboradas cerimônias que exigiam tempo de preparação.

Um exemplo notável é o de um homem da elite e de seus netos, cujos kurgans foram encontrados a mais de 60 milhas (quase 100 quilômetros) de distância um do outro. Isso, aliado ao rico sepultamento, sugere um sistema de governo dinástico, conectando parentes próximos ao status de elite. Em um caso, uma neta de apenas um ano recebeu um enterro de elite, o que levanta questões sobre a natureza hereditária desse status.

Notavelmente, quase metade dos indivíduos da elite analisados eram mulheres, evidenciando que a posição elevada não era exclusiva dos homens e que as mulheres também desempenhavam papéis significativos dentro da estrutura social.

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