No Dia do Cerrado, o Inpe divulgou que alertas de desmatamento caíram para 238 km² em agosto, ante 294 km² no mesmo mês do ano passado. É o segundo melhor agosto desde 2018.
Nesta sexta-feira (11), em que se celebra o Dia do Cerrado, o Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe) divulgou que os alertas de desmatamento no bioma caíram 18,9% em agosto na comparação com o mesmo mês do ano passado. Segundo o Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real (Deter) do Inpe, em agosto o Cerrado perdeu 238 quilômetros quadrados (km²) de vegetação nativa, contra 294 km² em agosto do ano passado. Esse foi o segundo melhor resultado para o bioma em um mês de agosto desde o início da série histórica, em 2018.
O dado trimestral, que tende a mostrar melhor a direção da tendência, também apontou queda, segundo os técnicos do instituto. Em resposta à divulgação, o coordenador do Programa de Monitoramento da Amazônia e demais Biomas do Inpe ressaltou a constância da redução nos últimos anos.
“No Cerrado, como um todo, a gente tem percebido, quando a gente olha para o dado trimestral, que essa redução vem com uma certa constância nos últimos três anos. Isso é fruto de um trabalho de engajamento do governo federal com os governos estaduais para reduzir esse desmatamento”
Enquanto o resultado foi positivo para o Cerrado, a Amazônia registrou aumento de 12,1% na área desmatada em agosto, saltando de 319 km² no ano passado para 358 km² em 2026. No trimestre de junho a agosto, porém, o resultado apresentou queda em relação ao mesmo período do ano anterior, representando o segundo melhor resultado para o trimestre na série histórica.
“Ainda é muito abaixo de níveis anteriores, mas é sempre uma preocupação de que isso saia do controle. O desmatamento é um eterno controle: você tem que estar sempre olhando para o que está acontecendo para evitar que você tenha um novo pico. Um mês [de variação] apenas pode ser simplesmente um período extraordinário, uma coisa diferente. Mas se isso se repete no mês seguinte, aí já acende uma luz amarela”
Presente à entrevista para divulgação do resultado de hoje (11) na capital paulista, o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, destacou a queda no Cerrado e externou preocupação com o aumento observado na Amazônia, detalhando que o crescimento foi concentrado em um estado.
“Mesmo que nós saibamos que o dado de um mês no Deter não deva ser considerado como um indicador estruturado de tendência, já que três meses é o mínimo para a gente perceber um pouco como é que está essa avaliação, nós não podemos deixar de considerar que houve um aumento no mês de agosto e também não devemos deixar de considerar e de ter claro que esse aumento foi concentrado em um estado: no Pará”
“Mas estamos reorganizando a ação federal para traçar uma ação imediata e reverter essas regiões onde houve aumento no mês de agosto”
Nesta sexta-feira, o ministro assinou duas portarias: a primeira regulamenta modalidades de pagamento por serviços ambientais; a segunda institui as Áreas Prioritárias de Recarga Hídrica no Bioma Cerrado (Aprhic), definindo regiões onde serão concentrados esforços de conservação e restauração.
“A portaria atualiza o paradigma da gestão dos recursos hídricos no Cerrado ao reconhecer, pela primeira vez em escala de bioma, o papel estratégico das áreas de recarga para a manutenção dos recursos hídricos e da segurança hídrica, especialmente nos períodos de seca”
O diretor executivo do Instituto Cerrados e doutor em Ciências Florestais pela Universidade de Brasília (UnB) destacou que a portaria traduz conhecimento científico em orientação para políticas públicas e ajuda a organizar investimentos.
“A plataforma transforma os dados científicos em inteligência espacial para apoiar decisões de gestores públicos, órgãos ambientais, comitês de bacia e sociedade civil”
Na ocasião, foi lançada uma plataforma digital para visualizar as áreas prioritárias do Cerrado e apoiar o monitoramento e a tomada de decisão, disponível para consulta on-line. Segundo as autoridades presentes, as medidas buscam fortalecer a proteção e a restauração do bioma e melhorar a gestão dos recursos hídricos.
