Itabaiana · segunda-feira · 21 de setembro de 2026
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Chuvas desde 26 de agosto mantêm o Nepal em alerta para deslizamentos e inundações. Especialistas pedem vigilância conjunta após o colapso do Langtang Lirung, que formou lagos em altitude e mudou a criosfera.

A continuidade das chuvas desde o desastre de 26 de agosto, nas montanhas do Nepal, mantém a região em alerta para novos deslizamentos, inundações ou avalanches, segundo avaliação de especialistas. A criosfera da região de Kiyrong-Rasuwa sofreu profundas mudanças com o colapso da geleira do pico Langtang Lirung, o que gerou formação de lagos em áreas elevadas e impacto ainda desconhecido sobre geleiras próximas.

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Houve também uma queda rápida de sedimentos: os materiais depositados no vale passaram de um patamar de 5.000 metros para 2.000 metros, na região do vale do rio Lhende Khola. A área transformou-se num mar de lama e detritos e foi destaque nos noticiários há duas semanas.

Especialistas afirmam que a principal preocupação agora é a possibilidade de novos desastres e a necessidade de monitoramento conjunto das condições naturais. É necessário observar rochas e gelo do glaciar ao redor da fonte, as paredes íngremes dos vales perturbadas pela avalanche, os bloqueios temporários de rios e o grande volume de sedimentos soltos depositados ao longo do vale, que podem ser mobilizados em chuvas fortes ou novas enchentes.

O pesquisador sênior e especialista em monitoramento Sher Muhammad, do ICIMOD, disse que análises preliminares a partir de registros de satélite foram suficientes para reconstruir a origem e o caminho da cascata, e que dois trabalhos iniciais ajudam a analisar os colapsos, embora ainda não tenham passado por revisão por pares.

“A dinâmica é semelhante àquela do desastre de Chamoli, em 2021, na porção indiana do Himalaia. Os estudos da época mostraram como um grande colapso envolvendo rochas e glaciar pode rapidamente se transformar em uma enchente com impactos devastadores.”

Muhammad ressaltou a necessidade de confirmar os dados iniciais antes de comparar definitivamente os cenários de Chamoli e Rasuwa, e afirmou que a hipótese mais aceita internacionalmente é a de um colapso na ligação entre rocha e geleira.

Segundo o especialista Jefferson Simões, que coordena o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da Criosfera (INCT Criosfera), a piora nas condições climáticas pode favorecer a perda de adesão entre o glaciar e a rocha que o sustenta, acumulando água e contribuindo para a quebra das rochas.

“São eventos conhecidos, ocorrem de tempos em tempos, porque são geleiras em montanhas com vertentes muito íngremes.”

Simões alertou para o risco quando há proximidade entre zonas habitadas e locais de origem glacial, citando o desastre em Yungay, no Peru, que matou cerca de 20 mil pessoas. Ele também explicou que a água de derretimento geralmente forma lagoas na frente das geleiras porque o gelo transporta sedimentos que criam barreiras naturais; quando gelo e rocha invadem essas lagoas, pode haver o estouro da barreira natural.

“Isso se dá porque o próprio gelo transporta sedimentos que formam uma barreira e vai acumulando água. Quando essa massa enorme de gelo e rocha invade esse lago há o estouro da barreira natural.”

Hoje, na região de Rasuwa, o governo nepalês mantém dois lagos glaciais sob vigilância; embora recentes, esses lagos já estiveram perto do ponto de extravasamento há cerca de uma semana.

Sobre a relação com o aquecimento global, Muhammad e Simões concordaram que o aquecimento está afetando o gelo no Himalaia e alterando condições gerais, mas destacaram que não há elementos suficientes para atribuir exclusivamente ao aquecimento o colapso em Rasuwa.

“O aquecimento está claramente afetando o gelo em todo o Himalaia e alterando as condições gerais lá. Esse processo pode afetar a estabilidade das montanhas e levar à infiltração de água em fraturas do gelo ou das rochas. Apesar disso, não podemos dizer que o aquecimento é causa direta do colapso.”

Muhammad enfatizou a importância de combinar melhorias no monitoramento, uso do solo em áreas de risco e sistemas de aviso prévio e evacuação. Para ele, é necessária uma vigilância sistemática por satélite de geleiras e encostas potencialmente instáveis, seguida de observação local com câmeras, sensores sísmicos e instrumentos de campo, conectada diretamente a sistemas de alerta.

“Precisamos de um monitoramento sistemático por satélite de geleiras e encostas potencialmente instáveis em toda a região, de forma regular, seguido por uma observação mais intensa dos pontos críticos identificados… Eles precisam ser tratados como um sistema de risco conectado.”

Os especialistas concordam que, embora não seja possível impedir todos os colapsos naturais, a redução das consequências depende de ações coordenadas de monitoramento e gestão do risco.

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Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

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