A Weg, multinacional brasileira atuante na fabricação de equipamentos, reconhece sua forte presença no setor elétrico e na indústria. A empresa enxerga uma vantagem competitiva no Nordeste em relação às fontes renováveis, como a energia eólica e solar. Contudo, em entrevista, o presidente do Conselho da companhia, Décio da Silva, expressou preocupação com a falta de linhas de transmissão que possam suportar essa expansão.
Décio da Silva mencionou um possível “desbalanceamento” devido à expansão das linhas de transmissão não acompanhar o ritmo acelerado dos investimentos em energia limpa. Ele afirmou:
“A nossa matriz energética é super limpa, nós crescemos muito com a solar e a eólica, a região do Nordeste tem uma vantagem competitiva muito grande (…) mas houve um pouco de desbalanceamento, foram feitos muitos parques e não veio na mesma velocidade as linhas de transmissão.”
Essa falta de infraestrutura está criando gargalos no sistema elétrico, resultando em cortes de geração conhecidos como curtailment, que são impostos pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Esses cortes visam equilibrar a oferta e a demanda de energia em algumas regiões. Os motivos para esses cortes incluem a falta de infraestrutura de transmissão, como linhas danificadas ou atrasadas, bem como a saturação das linhas de transmissão e a oferta excessiva em relação à demanda. No total, essas questões têm gerado um impacto financeiro significativo, superando R$ 4 bilhões para usinas eólicas e solares.
Nos casos de saturação e excesso de oferta, as usinas não têm direito a compensação financeira. Décio da Silva também destacou a necessidade de investimentos em equipamentos para estabilizar a rede elétrica:
“Com a entrada de uma participação de energias renováveis, houve algum desbalanceamento e agora tem que botar equipamentos para estabilizar a nossa rede.”
A Weg planeja investir R$ 3,6 bilhões em uma nova fábrica de geradores, localizada em Jaraguá do Sul e Guaramirim, que, segundo ele, contribuirá para aumentar a produção e ajudar na estabilidade do sistema elétrico.
Além disso, Décio da Silva ressaltou que o Brasil “carece” de infraestrutura, citando gargalos rodoviários e a necessidade de um ciclo de investimentos mais robusto. Ele afirmou:
“O Brasil carece de infraestrutura, principalmente rodoviária, fez menos estradas do que nós precisamos, e esse é um dos gargalos que a gente sente, mas tem oportunidades.”
O Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) também comentou sobre a situação da infraestrutura no Brasil, destacando que o país está atrasado em relação a esse tema, o que pode gerar problemas no futuro. Em março deste ano, a entidade lançou uma plataforma com índices de infraestrutura, avaliando o desempenho em seis segmentos, que incluem mobilidade e saneamento básico.
