Itabaiana · sexta-feira · 02 de outubro de 2026
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Com a aproximação das eleições, os candidatos enfrentam o desafio de conquistar os votos de indecisos e de pessoas fora da polarização política. Nesse contexto, um grupo em ascensão é o dos eleitores com mais de 60 anos, que vem se destacando pelo crescimento significativo nos últimos anos.

De acordo com um levantamento recente da agência de pesquisa Nexus, entre 2010 e 1º de março de 2026, o número de eleitores acima de 60 anos aumentou 74%, enquanto o total de eleitores cresceu apenas 15%. Dados atualizados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em junho deste ano revelam que essa faixa etária representa 36,5 milhões de pessoas, o que equivale a 23% dos 157,6 milhões de eleitores no Brasil.

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Especialistas acreditam que esse crescimento exige dos candidatos estratégias específicas para se comunicar com esse público. O cientista político Marco Antonio Teixeira, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), ressalta que o histórico cultural desses eleitores é muito diferente do atual. Eles tendem a se sentir mais confortáveis com a comunicação tradicional e com a propaganda eleitoral gratuita veiculada na rádio e na televisão.

“Essa questão que a gente fala: ‘Morreu o horário eleitoral, não significa mais nada’. Para esse perfil, não”, afirma Carolina de Paula, doutora em ciências políticas e professora da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

A professora destaca que muitos eleitores mais velhos, com escolaridade menor, ainda acompanham as campanhas principalmente pela TV. Ela também observa que, mesmo após os 70 anos, muitos têm o desejo de ir às urnas, representando cerca de 10% do total de votantes aptos, o que corresponde a 16,7 milhões de pessoas.

Teixeira acredita que a vontade de votar entre os mais velhos pode ser atribuída à experiência de privação de voto durante a Ditadura Militar, o que intensifica o desejo cívico. “O voto, nesse sentido, não é apenas uma obrigação, mas um dever de civilidade”, afirma.

Em um cenário de crescente abstenção, essa disposição para votar pode ser crucial. Contudo, os candidatos devem se esforçar para se comunicar efetivamente com esses eleitores, conforme alerta Carolina de Paula. “Eles esperam que as mensagens e políticas públicas façam sentido para eles”, explica.

Com a faixa etária 60+ ganhando destaque, suas necessidades começam a ser mais consideradas. Teixeira aponta que uma das falhas das políticas públicas no Brasil é a falta de atenção ao envelhecimento. Ele ressalta que um dos desafios futuros é pensar em aposentadorias e condições de vida para aqueles que estão saindo do mercado de trabalho.

“Quem conseguir realmente ouvir as vozes dessas pessoas e apresentar propostas alinhadas a elas pode se destacar na corrida por esses votos”, diz Teixeira.

Além disso, Carolina de Paula menciona que, embora afirmem que a idade dos candidatos não importe, os eleitores tendem a preferir aqueles com mais experiência. Teixeira complementa que esses eleitores buscam candidatos que oferecem projetos a longo prazo, demonstrando um interesse em decisões eleitorais mais consistentes.

Ao conquistar a confiança desse público, os políticos devem se dedicar à manutenção desse vínculo, pois os eleitores acima de 60 anos tendem a ser menos voláteis em suas escolhas.

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