A atuação do El Niño começa a influenciar o clima no Brasil de maneira mais significativa, resultando na primeira onda de tempestades e ventos fortes deste ano. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o fenômeno intensifica o transporte de calor e umidade no país, criando condições propícias para a formação de áreas de instabilidade, chuvas intensas e rajadas de vento.
Na última sexta-feira (17), o Inmet emitiu um alerta de perigo para vendavais em áreas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, com ventos previstos entre 60 km/h e 100 km/h. O meteorologista do Inmet, Francisco de Assis, destacou que, embora os vendavais sejam comuns durante a passagem de frentes frias, o El Niño potencializa esse cenário.
“O vendaval sempre ocorre com chegadas de frentes frias na Região Sul, quando há forte contraste de temperaturas, como agora. Mas também, o padrão de El Niño favorece essas condições”, explicou.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração impacta a circulação atmosférica e influencia o clima em diversas partes do mundo. No Brasil, o fenômeno geralmente resulta na diminuição das chuvas nas regiões Norte e Nordeste, enquanto aumenta a frequência e o volume de precipitações na Região Sul.
De acordo com o Inmet, o fortalecimento dos jatos de baixos níveis — correntes de vento que transportam umidade da região tropical para o Sul — aumenta a disponibilidade de calor e umidade na atmosfera. Paralelamente, a atuação de centros de baixa pressão e de uma frente fria intensifica a formação de nuvens de tempestade.
Outro fator importante é a presença de um sistema de alta pressão sobre partes das regiões Centro-Oeste e Sudeste, que atua como um bloqueio atmosférico, dificultando o avanço desses sistemas para outras áreas do país. Como resultado, a umidade permanece concentrada sobre a Região Sul, favorecendo chuvas persistentes, tempestades e rajadas de vento.
