Itabaiana · segunda-feira · 28 de setembro de 2026
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Caminhar, jardinar ou fazer musculação pode salvar vidas. Estudo da Harvard revela que diversificar atividades físicas protege mais do que a duração do treino.

Um estudo da Harvard, publicado no BMJ Medicine, trouxe informações importantes sobre a prática de atividades físicas. Ele mostrou que pessoas que se exercitam de maneira variada, seja caminhando, fazendo musculação ou até mesmo jardinando, apresentam até 19% menos risco de morte precoce. Essa relação se mantém independentemente do tempo total dedicado ao exercício.

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Esse dado reforça um alerta já bem conhecido: o sedentarismo é uma das principais ameaças à saúde global, sendo responsável por cerca de 5 milhões de mortes anualmente, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Na prática, isso significa que a manutenção da independência na terceira idade depende mais da regularidade e diversidade de movimentos do dia a dia do que de intervenções médicas tardias.

Decisões simples do cotidiano podem ser determinantes para que, no futuro, um indivíduo mantenha sua autonomia ou necessite de ajuda para realizar tarefas simples. Contudo, o sedentarismo se tornou um dos grandes desafios de saúde pública. No Brasil, o aumento das doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) evidencia esse cenário preocupante.

Dados do Ministério da Saúde revelam que, entre 2006 e 2024, o número de adultos com diabetes cresceu 135%, enquanto os casos de hipertensão aumentaram 31% e a obesidade mais que dobrou nesse período. Especialistas explicam que essas mudanças são, em grande parte, resultado da maneira como o corpo responde à falta de movimento. A inatividade leva a uma operação menos eficiente do organismo, afetando o controle glicêmico e aumentando a resistência à insulina.

Como consequência, substâncias como glicose e lipídios permanecem por mais tempo na corrente sanguínea, o que favorece o enrijecimento das artérias e eleva o risco cardiovascular. O médico do esporte Paulo Zogaib, do Hospital Sírio-Libanês, afirma:

“O sedentarismo é hoje um dos principais fatores de risco porque favorece o surgimento de outras condições, como obesidade, colesterol elevado e diabetes.”

Ele define que um indivíduo é considerado sedentário quando o gasto calórico semanal com atividades físicas não ultrapassa mil calorias. O problema é agravado pela dificuldade em controlar essas doenças mesmo após o diagnóstico. Levantamentos da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) indicam que apenas uma pequena parte da população consegue manter níveis adequados de pressão arterial e glicemia simultaneamente, aumentando o risco de complicações ao longo do tempo.

Além dos efeitos metabólicos, a inatividade também interfere em processos silenciosos, como a renovação celular. A falta de estímulo físico faz com que o organismo mantenha células disfuncionais por mais tempo, contribuindo para o desenvolvimento de doenças graves, como o câncer.

Por outro lado, a prática regular de atividade física traz benefícios precoces e mensuráveis. Nas primeiras semanas, já é possível notar melhorias no controle da pressão arterial, maior eficiência no uso da glicose, redução do colesterol LDL e um aumento na circulação sanguínea, fatores que são cruciais na prevenção das DCNTs.

A recomendação internacional de 150 minutos semanais de atividade física moderada ainda enfrenta barreiras, pois muitos acreditam que o exercício exige rotinas estruturadas ou alto desempenho. O especialista Zogaib destaca:

“O erro está em tentar encaixar um padrão ideal na vida real. O importante é adaptar a atividade ao indivíduo.”

A transição para uma vida ativa não precisa obrigatoriamente de uma academia, mas sim de uma consciência do movimento. Entre as recomendações para incorporar o movimento à rotina de forma estratégica, estão:

  • Mobilidade urbana: Caminhar para resolver tarefas curtas melhora a circulação e ajuda no equilíbrio da glicose.

  • Fortalecimento funcional: Optar por escadas em vez de elevadores fortalece músculos essenciais para a autonomia.

  • Ganho cardiovascular: Pedalar ou dançar regularmente melhora a capacidade respiratória e coordenação.

  • Atividade doméstica ativa: Tarefas como organizar a casa elevam o gasto calórico e ajudam no controle do peso.

  • Redução do comportamento sedentário: Levantar-se a cada 60 minutos ajuda a mitigar os efeitos negativos de longos períodos sentado.

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Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

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