Itabaiana · terça-feira · 29 de setembro de 2026
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O Reino Unido enfrenta uma crise energética com preços entre os mais altos do mundo. Especialista de Oxford aponta erros da transição energética britânica que podem servir de alerta para o Brasil.

Nos últimos artigos, destacamos a importância de comparações cuidadosas entre os setores elétricos de diferentes países, incluindo o Brasil. Cada sistema possui configurações e requisitos únicos, o que torna essas comparações complexas. Contudo, existem lições universais que podem ser extraídas.

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Um exemplo significativo é a “transição energética” que está ocorrendo no Reino Unido. O Professor Dieter Helm, da Universidade de Oxford e especialista em Política Econômica e Climática, analisa essa questão em seu artigo recente.

Ele aponta que o preço da energia elétrica no Reino Unido é um dos mais altos do mundo. As dívidas dos consumidores em relação às contas de energia somam £ 4 bilhões, e os altos preços têm impactado a competitividade da indústria, levando ao fechamento de fábricas, como as de automóveis.

A indústria brasileira pode se beneficiar ao analisar o cenário do Reino Unido para reavaliar suas percepções sobre os preços da energia elétrica. A questão central que se levanta é: como é possível que um sistema que investiu tanto em fontes renováveis enfrente tais problemas?

O professor Helm explica que as fontes renováveis não são tão baratas quanto se imagina. Os custos adicionais resultantes da intermitência e da falta de confiabilidade precisam ser considerados. Esses fatores são frequentemente ignorados por planejadores e reguladores em busca de uma agenda verde.

O sistema elétrico, portanto, deve se preparar para a expansão das fontes renováveis, levando em conta a capacidade de transmissão, reserva de potência e flexibilidade. Esses custos adicionais acabam sendo repassados aos consumidores.

Outro ponto importante levantado pelo Professor Helm é a necessidade de uma abordagem em relação à “Potência Firme Equivalente” para diferentes tipos de fontes de energia. Essa metodologia já é aplicada na PJM (Pennsylvania-Jersey-Maryland interconnection) em seus leilões de potência.

Ele também ressalta a relevância contínua do gás natural para o sistema britânico, um ponto que se alinha com a realidade brasileira, onde poderia ser necessário considerar a inclusão de usinas nucleares e até usinas a carvão com tecnologias de captura e armazenamento de carbono (CCUS).

Em síntese, é vital que o Brasil adote uma postura cautelosa em sua transição energética, evitando se deixar levar por discursos simplistas que possam comprometer a confiabilidade e a razoabilidade dos preços da energia.

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Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

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