Em julho, mês dedicado à conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço, especialistas destacam que as complicações durante os tratamentos dessa doença podem ser controladas com o uso da radiologia intervencionista.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de cabeça e pescoço é um dos mais recorrentes no Brasil. Os efeitos colaterais do tratamento, que incluem hemorragias, infecções e alterações vasculares, representam grandes desafios. Interrupções na terapia podem impactar significativamente os resultados.
Uma das alternativas para um tratamento menos invasivo é a utilização de exames de imagem, como a radiologia. Esse método é útil desde a realização de biópsias até o manejo de hemorragias, drenagem de infecções, implantes de acessos venosos para quimioterapia e procedimentos terapêuticos específicos.
Dr. Guilherme Martins, radiologista intervencionista e diretor da Sobrice, afirma: “A radiologia intervencionista integra o tratamento do câncer e pode atuar em praticamente todas as etapas da jornada do paciente. Além das biópsias guiadas por imagem, conseguimos controlar hemorragias, tratar complicações vasculares, drenar infecções e oferecer alternativas minimamente invasivas que permitem ao paciente manter o tratamento com mais segurança.”
Embora seja uma abordagem menos invasiva, a radiologia intervencionista também apresenta riscos, como sangramentos decorrentes da invasão de vasos sanguíneos pelo tumor, complicações cirúrgicas ou necrose tumoral. Se esses efeitos não forem controlados rapidamente, podem levar a situações críticas, como choque hemorrágico, obstrução das vias aéreas, necessidade de internação em UTI e, em casos extremos, até mesmo à morte.
Em situações graves, é realizada uma embolização por meio de um pequeno acesso vascular, geralmente pela artéria femoral ou radial. O radiologista, guiado por imagens em tempo real, utiliza microcateteres para alcançar o vaso responsável pelo sangramento e efetuar sua oclusão.
A radiologia intervencionista, apesar de pouco conhecida, desempenha um papel fundamental no diagnóstico de câncer, permitindo o acesso a lesões profundas ou de difícil localização com precisão. Isso pode evitar a necessidade de procedimentos cirúrgicos apenas para confirmar um diagnóstico.
