Finanças de Minas Gerais estão 'em ruínas', segundo a revista britânica The Economist. Pensões e juros consomem o orçamento e devem forçar o próximo governador a cortes drásticos.
A revista britânica The Economist publicou uma análise da situação fiscal de Minas Gerais, classificando-a como crítica. Segundo a reportagem, o comprometimento do orçamento com pagamentos de pensões sem lastro e juros limita a capacidade de realizar investimentos em áreas discricionárias.
A publicação, reconhecida mundialmente, afirma que as finanças do estado estão em ruínas, o que pode obrigar o próximo governador a implementar cortes drásticos nos gastos. Apesar de o governo de Romeu Zema (Novo-MG) não ter contraído novos débitos com a União e ter registrado superávits primários desde 2021, a dívida acumulada exigirá que as futuras administrações realizem reduções significativas nas despesas.
O economista-chefe da Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) comentou que a margem de manobra financeira para as próximas gestões é praticamente inexistente.
A análise da The Economist também coloca Minas Gerais como um “estado-espelho” do Brasil, destacando que sua geografia, composição étnica e cenário político podem servir como uma prévia do futuro do país. Desde 1989, nenhum presidente foi eleito sem ganhar em Minas Gerais, consolidando o estado como um importante campo de batalha política nacional.
A revista ressalta que as restrições orçamentárias impactam diretamente a infraestrutura local, com o estado concentrando 13% dos acidentes de trânsito do Brasil em suas rodovias. No que diz respeito ao setor produtivo, Minas Gerais representa 40% da produção mineral brasileira, incluindo ferro, nióbio e lítio. Contudo, a economia do estado ainda depende da exportação de matérias-primas brutas, com investimentos limitados em pesquisa e desenvolvimento para a produção de itens com maior valor agregado.
No contexto nacional, a revista menciona projeções do FMI, indicando que a dívida pública bruta do Brasil poderá alcançar 107% do PIB até 2031, impulsionada por taxas de juros reais em torno de 10%. Esse cenário, segundo a análise, desestimula o investimento produtivo em máquinas e inovação.
Além disso, a reportagem aborda a mineração de lítio no Vale do Jequitinhonha, que, embora tenha gerado novos empregos e comércio, também trouxe aumento nos custos de moradia e queixas da população sobre a poeira das minas e a preservação dos recursos hídricos. Especialistas consultados pela revista afirmam que é necessário enfrentar problemas estruturais, como a melhoria da educação e a redução de riscos para o financiamento privado, para mudar o atual modelo econômico.
