Itabaiana · sábado · 10 de outubro de 2026
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Com as férias de julho, muitas famílias enfrentam o desafio de entreter as crianças enquanto a rotina dos adultos segue normalmente. Entre diversas tentativas de preencher cada minuto livre, especialistas em educação apontam um caminho inesperado: o tédio.

Deixar espaço para o tédio pode ser o que falta para estimular a criatividade, a autonomia e a concentração durante esse período. No entanto, as férias escolares tendem a aumentar o tempo que crianças e adolescentes passam em frente a telas.

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Um levantamento realizado em 2025 pela Fundação Maria Cecília Souto Vidigal em parceria com o Datafolha revelou que 78% das crianças de até 3 anos são expostas diariamente a telas. Para as crianças de 4 a 6 anos, esse percentual sobe para 94%.

A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que crianças de até 2 anos não tenham contato com telas. Para os pequenos de 2 a 5 anos, o limite sugerido é de até uma hora diária, enquanto para crianças de 6 a 10 anos, o recomendado é de uma a duas horas por dia. Na prática, controlar esse tempo se torna desafiador em um ambiente digital feito para prender a atenção do usuário.

“Os jovens raramente têm tempo para simplesmente existir sem entretenimento imediato. Mas é justamente nas pausas que surgem a curiosidade, a criatividade e conexões mais profundas com o mundo”, afirma Anne Baldisseri, diretora da Escola Avenues São Paulo.

A exposição constante a telas e estímulos digitais pode impactar a atenção, a memória e outras funções cognitivas em crianças e adolescentes. Uma pesquisa publicada no JAMA em outubro de 2025, conduzida por Jason Nagata, professor da University of California, San Francisco, acompanhou 6.554 adolescentes de 9 a 13 anos e identificou que aqueles que usaram redes sociais em excesso apresentaram desempenho cognitivo inferior em leitura, vocabulário e memória.

Esse padrão é frequentemente atribuído à exposição a conteúdos que oferecem recompensas rápidas, diminuindo o espaço para reflexões mais profundas. O estudo sugere que não é apenas o uso intenso que causa problemas; qualquer aumento no tempo gasto nas redes sociais pode afetar habilidades como memória e leitura.

“É esse desconforto que abre espaço para a invenção e o brincar livre”, diz Daniela Pannuti, diretora do Ensino Fundamental I da Avenues São Paulo.

Educadores destacam que o debate não é sobre demonizar a tecnologia ou as redes sociais, mas sim sobre encontrar um equilíbrio. Embora as ferramentas digitais possam ser úteis para aprendizado e socialização, o contato constante com estímulos rápidos pode dificultar a concentração profunda.

Durante as férias de julho, muitas famílias sentem a pressão de preencher a agenda das crianças com atividades, viagens e cursos. Segundo Pannuti, o excesso de programação pode gerar um efeito contrário ao descanso, dificultando a recuperação da energia mental e aumentando o estresse.

Para a educadora, nem todos os momentos da vida precisam ser produtivos ou planejados. Períodos de ócio permitem que as crianças organizem pensamentos, desenvolvam ideias próprias e fortaleçam a independência, sem depender de estímulos externos contínuos.

Atividades simples como brincar sem roteiro, ler, cozinhar, desenhar, caminhar ou conversar com familiares e amigos são fundamentais. Especialistas também sugerem alternar esses momentos com experiências ao ar livre, que despertam a curiosidade e promovem o contato com o ambiente.

Uma boa alternativa para equilibrar estímulos e momentos de ócio é planejar férias focadas na natureza, com projetos criativos e brincadeiras livres. Contudo, a principal recomendação é evitar a necessidade de ocupar todo o tempo: abrir espaço para o “não fazer nada” também é parte do desenvolvimento.

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Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

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