Uma sequência de eventos extremos, como o terremoto de 7,4 na Colômbia e ciclones-bomba no Sul do Brasil, tem deixado destruição. Avanços em previsão climática e sismologia ampliam alertas antecipados e reduzem riscos.
Uma onda de eventos extremos deixou rastros de destruição em diferentes regiões da América do Sul nas últimas semanas. Um dos mais recentes foi o terremoto de magnitude 7,4 na Colômbia, em agosto, que derrubou prédios inteiros e vitimou centenas de pessoas. No Brasil, a região Sul é a mais afetada por ciclones-bomba e tornados, além de estar na rota dos efeitos do super El Niño que está se formando neste segundo semestre.
Com toda a força desses fenômenos naturais, tragédias ainda maiores poderiam ocorrer sem o avanço da tecnologia de previsibilidade de clima e sismografia. A ciência tem trabalhado cada vez mais na antecipação e no preparo para mitigar os impactos das mudanças climáticas em todo o planeta.
No caso da sismologia, a corrida tecnológica é contra o tempo. A ciência ainda não consegue prever com grande antecedência quando um terremoto irá acontecer nem sua magnitude, embora as áreas de risco — como as bordas das placas tectônicas — sejam mapeadas desde o século XIX. O avanço recente está na transição dos sismógrafos fixos tradicionais para sismógrafos móveis de alta precisão, capazes de detalhar ondas secundárias que causam os impactos mais fortes.
“O sismógrafo tradicional já instalado, ele consegue avisar a ocorrência daquelas ondas de primeiro impacto. E o sismógrafo móvel de tecnologia muito avançada, ele já aponta com detalhe para a segunda onda, que são as ondas que quando ocorrem aí sim com impactos muito fortes.”
Ao primeiro sinal, as pessoas podem ser orientadas a evacuar prédios e residências em poucos minutos por conta do risco de desmoronamento. Com esse tipo de alerta foi possível salvar a vida de milhares de pessoas em terremotos como o da Colômbia ou até mesmo o da Venezuela em junho deste ano.
Outro grande aliado na antecipação dos fenômenos naturais está na órbita da Terra. Satélites têm papel fundamental na observação e no mapeamento das áreas de risco envolvendo abalos sísmicos, eventos climáticos e queimadas. A eficácia da previsão acontece graças à atuação conjunta de satélites, estações meteorológicas e medições da superfície. Um exemplo prático ocorreu em Rio Bonito do Iguaçu, cidade do interior paranaense, que ficou 90% destruída e registrou seis mortes após um forte tornado em novembro de 2025 — cenário em que alertas prévios ajudaram na proteção de parte da população.
“Com algumas horas de antecedência, o SIMEPAR avisou a Defesa Civil para evacuar a cidade ou levar a população a se proteger. O alerta veio em 24 horas, 12 horas, 6 horas, na hora, e isso permitiu que as pessoas pudessem se proteger de alguma maneira. Isso é tecnologia aplicada.”
Nas últimas décadas, a capacidade tecnológica de detecção cresceu exponencialmente. A inteligência artificial surge como um divisor de águas por acelerar a correlação entre variáveis complexas — população, sismologia, meteorologia — e por transformar dados científicos em alertas rápidos e acessíveis para a população.
A comunicação também evoluiu: desde 2024, é possível emitir alertas de desastres e enchentes via Cell Broadcast para celulares com sinal de operadora, usando a geolocalização dos usuários. Historicamente, o Brasil adotou uma cultura de remediação pós-desastre. Hoje, há um esforço para avançar em prevenção, algo que exige mudança cultural e ações educativas.
“O letramento climático é uma estratégia em que a gente vai até as populações vulneráveis e expostas aos riscos e trabalha com jovens, com crianças, com idosos, com adultos sobre temas climáticos com a linguagem simples e acessível.”
Em resumo, satélites, sensores de solo, redes de sismógrafos móveis, IA e canais de comunicação móvel compõem um sistema que não evita a ocorrência de fenômenos extremos, mas amplia a capacidade de antecipação e resposta, reduzindo riscos e salvando vidas.
