Itabaiana · quinta-feira · 08 de outubro de 2026
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Após a confirmação de um novo tarifaço que afetará o Brasil, os Estados Unidos indicaram disposição para negociar a situação. Contudo, especialistas alertam que o contexto é delicado para o país. Leandro Consentino, cientista político e professor do Insper, comenta sobre o cenário atual:

“No ponto que a gente se encontra parece mais uma barganha posicional, quando o outro lado tem se aferrado a posições ideológicas e políticas, e é difícil negociar determinadas questões.”

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Ele ressalta a importância de um pragmatismo nas negociações para evitar que as demandas comprometam a soberania brasileira.

O governo dos Estados Unidos anunciou, no dia 15 de julho, a aplicação de uma nova tarifa de 25% sobre uma série de produtos brasileiros. Essa decisão, tomada pelo presidente Donald Trump em resposta a recomendações do USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA), marca uma intensificação nas tensões comerciais entre os dois países.

Os EUA estão abertos ao diálogo, mas suas demandas são específicas. O novo tarifaço resulta de uma investigação do USTR que começou após a primeira tarifa de 50% imposta ao Brasil em julho de 2025. Em junho deste ano, o USTR havia proposto novas tarifas sobre todas as importações do Brasil, considerando que as políticas brasileiras geram insegurança e competição desleal.

Robson Gonçalves, economista da FGV (Fundação Getulio Vargas), observa que os EUA buscam negociar questões relevantes como terras raras e o sistema de pagamentos Pix. A situação é complexa, pois um erro em um documento enviado pelo Departamento de Estado dos EUA, onde o Brasil foi referido incorretamente, foi percebido como falta de seriedade nas negociações.

Thiago de Aragão, CEO da Arko Internacional, questiona:

“O que o Brasil não pode entregar de forma alguma?”

Ele destaca que, apesar da pressão, a tarifa inicial deve ser vista como um ponto de partida para as negociações e não como um fim em si mesmo.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, também se manifestou sobre a situação, afirmando que a retomada do processo da Lei de Reciprocidade é uma possibilidade a ser considerada.

“A gente chegou a suspender a tramitação do processo de reciprocidade, e agora, acho que é provável que a gente retome,”

disse Durigan, enfatizando a necessidade de diálogo.

Os especialistas concordam que o Brasil deve adotar uma postura de diálogo aberto e produtivo, em vez de retaliação. Gonçalves compara a situação a uma cena do filme ‘O Gladiador’, onde a retaliação não é a melhor estratégia. Aragão conclui que, mesmo diante desse cenário desafiador, o Brasil ainda pode encontrar maneiras de transformar a situação em uma oportunidade.

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Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

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