O Ministério da Saúde incorporou ao Sistema Único de Saúde (SUS) o uso da edaravona para tratar pacientes adultos com esclerose lateral amiotrófica (ELA) em estágios iniciais. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) em 21 de julho de 2026.
De acordo com a portaria, as áreas técnicas têm um prazo de até 180 dias para implementar a oferta desse tratamento na rede pública. A nova terapia é destinada a pacientes com ELA em graus 1 e 2, com um histórico da doença de até dois anos.
A esclerose lateral amiotrófica é uma condição degenerativa que afeta os neurônios responsáveis pelos movimentos, resultando na perda do controle muscular. Atualmente, não existe cura estabelecida para essa doença, e o diagnóstico pode ser desafiador, já que não há exames laboratoriais que identifiquem marcadores específicos para sua detecção. Em média, é necessário um período de 11 meses para chegar a um diagnóstico preciso.
Os sintomas iniciais da ELA podem ser sutis, tornando o reconhecimento da doença mais demorado. Os pacientes frequentemente relatam:
– Dificuldades respiratórias
– Problemas para falar e engolir
– Perda de controle muscular nas mãos ou atrofia nas pernas
Inicialmente, as funções cognitivas e sensoriais permanecem intactas, mas tendem a se deteriorar progressivamente. Após o surgimento dos primeiros sintomas, a média de sobrevida do paciente é de aproximadamente três anos e meio. Dificuldades respiratórias podem levar a complicações, como infecções pulmonares que, em última instância, podem ser fatais.
Estima-se que apenas 10% dos casos de ELA sejam de origem genética, sendo a doença mais comum entre pessoas com idades entre 50 e 70 anos. A ocorrência em jovens é considerada muito rara.
Embora não haja cura, os tratamentos disponíveis buscam retardar a progressão da doença. Segundo o Ministério da Saúde, o foco das terapias é aumentar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida dos pacientes, assim como controlar os sintomas. Até o momento, o riluzol era o único tratamento específico aprovado pelo SUS, conhecido por ajudar a retardar a evolução da ELA e aumentar a sobrevida em alguns meses.
A inclusão da edaravona visa também reduzir a velocidade de progressão da doença nos estágios iniciais. Um estudo publicado em 2022 na revista científica “The Lancet” sugere que a edaravona pode contribuir para um aumento de cerca de seis meses na sobrevida dos pacientes, além de diminuir o risco de morte no grupo analisado.
