Ex-banqueiro aguarda decisão do ministro André Mendonça sobre onde cumprirá prisão. Defesa teme transferência para cela comum após segunda proposta de delação ser negada.
A equipe de defesa de Daniel Vorcaro está em expectativa pela decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), sobre o local onde o ex-banqueiro continuará preso. A preocupação da defesa é que ele seja transferido para uma prisão comum, especialmente após a negação de sua segunda proposta de delação premiada pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Na semana passada, um pedido de prisão domiciliar foi protocolado no STF, enquanto Vorcaro permanece em uma cela da Superintendência da PF, em Brasília. A defesa acredita que, caso a negativa para o uso de tornozeleira eletrônica em casa seja confirmada, o magistrado deve optar por manter o ex-banqueiro onde ele se encontra atualmente. A PF já manifestou sua oposição a essa possibilidade.
“A integridade física de Vorcaro precisa ser preservada”, destacou o ministro André Mendonça durante a sessão da 2ª Turma do STF, onde se discutiu a manutenção da prisão de Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro.
Mendonça parece inclinado a considerar que, ao permanecer na Superintendência da PF, Vorcaro evitaria o contato com outros potenciais delatores, como Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília. Outro ponto relevante é que Vorcaro está trabalhando em uma terceira proposta de colaboração premiada e, para isso, estaria buscando novos advogados que possam ajudá-lo a desbloquear essa nova iniciativa.
Até o momento, Vorcaro já trocou de advogado em duas ocasiões. Sua defesa atual é liderada pelo ex-presidente da OAB de Minas Gerais, Sérgio Leonardo, que assumiu após a saída do criminalista José Luis Oliveira, conhecido como Juca. Pessoas próximas a Vorcaro afirmam que a possibilidade de retornar ao Complexo Penitenciário da Papuda é uma situação que o assusta, e ele já comunicou à sua defesa que pretende apresentar um material “mais robusto” em sua próxima proposta de delação.
Investigadores da PF afirmam que uma nova delação só será considerada se Vorcaro apresentar informações verificáveis que não deixem de lado autoridades implicadas em esquemas de corrupção. O ex-banqueiro foi preso preventivamente no dia 4 de março durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, com a detenção autorizada por Mendonça devido a indícios de organização criminosa, crimes financeiros e ameaças a jornalistas e adversários. Inicialmente, ele foi detido em São Paulo, mas posteriormente transferido para Brasília, onde passou a ser custodiado na Superintendência da PF para facilitar o contato com seus advogados.
