Três quartos da frota brasileira circula sem proteção financeira alguma. Levantamento da Suhai Seguradora revela um cenário preocupante para motoristas e pedestres em todo o país.
Apesar do avanço do setor de seguros nos últimos anos, um dado preocupante chama a atenção: apenas 25% da frota de veículos, que inclui carros, motos e caminhões, em circulação no Brasil possui algum tipo de seguro. Isso significa que cerca de 75% dos veículos estão diariamente expostos a riscos financeiros significativos, circulando sem qualquer proteção.
Os números vêm de um levantamento interno da Suhai Seguradora, que cruzou dados da frota circulante com informações da Senatran e da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg). Esses dados evidenciam não apenas uma lacuna de mercado, mas também um desafio estrutural relacionado à educação financeira da população brasileira.
“Na prática, a ausência de seguro não impacta apenas o patrimônio individual, mas também a organização financeira das famílias. Em casos de roubo, furto ou acidentes, o prejuízo pode comprometer anos de renda e planejamento, especialmente em um país onde o carro ainda representa um dos principais bens de consumo e, muitas vezes, uma ferramenta de trabalho”, afirma Jorge Martinez, Vice-presidente de Produtos e Precificação da Suhai Seguradora.
Martinez destaca que a forma como os brasileiros enxergam o seguro é um fator crucial. Muitas vezes, o seguro é visto como um custo dispensável, e não como uma estratégia de proteção patrimonial. Essa percepção é resultado da baixa disseminação de conceitos de planejamento financeiro, incluindo gestão de riscos e previsibilidade de despesas.
Guilherme Mendes, especialista da Serasa em educação financeira, complementa que um dos principais desafios está na crença de que um bom planejamento financeiro envolve apenas despesas previsíveis.
“Uma boa educação financeira vai além da gestão de orçamento no dia a dia. Ela desempenha um papel fundamental no preparo prévio, ajudando as pessoas a entenderem suas necessidades, objetivos a longo prazo e se prepararem para diferentes situações que podem surgir no caminho”, comenta.
Mendes ressalta que, no caso da compra de um veículo, é essencial definir um orçamento que contemple todos os custos envolvidos, incluindo manutenção e financiamento. Ter uma visão mais ampla dessas despesas ajuda na tomada de decisões mais conscientes e em um planejamento financeiro sustentável.
Além disso, fatores como orçamento apertado e a crença de que “não vai acontecer comigo” também contribuem para a baixa adesão ao seguro. Martinez ressalta que o custo de não estar segurado pode ser muito maior do que o valor investido em uma apólice.
Nos últimos anos, iniciativas de democratização do seguro têm buscado alterar esse cenário, oferecendo produtos mais flexíveis e acessíveis para diversos perfis de consumidores. Porém, a educação financeira continua sendo um desafio. Conscientizar a população sobre a importância de proteger o patrimônio é fundamental para uma vida financeira saudável.
O fato de que três em cada quatro veículos no país não possuem seguro destaca a necessidade de ampliar o debate sobre educação financeira no Brasil, focando não apenas no consumo e crédito, mas também na proteção contra imprevistos. Em um cenário de incertezas econômicas, o seguro se torna um item essencial para garantir segurança e estabilidade financeira.
