Itabaiana · terça-feira · 06 de outubro de 2026
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A sensação de areia nos olhos, vermelhidão, ardência, coceira e desconforto diário podem parecer sintomas simples, mas podem indicar um problema que se torna cada vez mais comum: a Síndrome do Olho Seco. Inicialmente associada ao envelhecimento, essa condição agora atinge pessoas de todas as idades, especialmente devido às mudanças nos hábitos de vida e ao uso intenso de dispositivos eletrônicos.

O alerta ganha destaque durante a campanha Julho Turquesa, que visa conscientizar sobre o olho seco. O oftalmologista Allan Luz, doutor em Oftalmologia e Ciências Visuais pela Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp) e médico do Hospital de Olhos de Sergipe, explica que a doença deixou de ser predominante entre os idosos e passou a ser uma queixa frequente nos consultórios oftalmológicos.

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“A virada do século mudou completamente o perfil dos pacientes com olho seco. Antes, era uma doença muito mais relacionada aos idosos, mas, com a chegada dos computadores, smartphones e outros dispositivos ao nosso dia a dia, esse cenário mudou”, afirma o especialista.

A Síndrome do Olho Seco é causada pela baixa produção de lágrimas, pelo aumento da evaporação ou pela combinação de ambos os fatores. Allan Luz destaca que o olho seco evaporativo ganhou relevância por estar ligado ao estilo de vida contemporâneo.

“Esse é o chamado olho seco da vida moderna. São pessoas que permanecem longos períodos em atividades que exigem muita concentração e acabam piscando menos do que deveriam”, explica.

Os principais sinais da síndrome incluem olhos vermelhos, ardência e desconforto após longos períodos de esforço visual. Ignorar esses sintomas pode levar a consequências mais sérias, como lesões corneais.

“A lágrima é a primeira barreira de proteção do olho. Quando existe uma deficiência nessa proteção, agentes externos conseguem causar lesões que seriam evitadas em uma superfície ocular saudável”, alerta o médico.

O diagnóstico é realizado durante a consulta oftalmológica, com exames que avaliam a quantidade e a qualidade da lágrima, além da presença de inflamações. Vários fatores aumentam o risco de desenvolver olho seco, como envelhecimento, doenças autoimunes, uso inadequado de lentes de contato e hábitos como baixa ingestão de água e estresse.

“Hoje temos uma combinação de fatores. Existe a questão da idade, doenças inflamatórias e autoimunes, mas também o ambiente em que vivemos que, aliado ao excesso de telas, contribui para o quadro”, afirma Allan Luz.

Apesar de ser uma condição crônica, o olho seco pode ser tratado. O primeiro passo é identificar a causa para definir a melhor abordagem. Lubrificantes oculares são as opções mais comuns, mas o especialista ressalta que nem todo colírio é adequado para todos os pacientes.

“Olho seco não é uma doença única. Existem diferentes mecanismos envolvidos, e o tratamento precisa ser individualizado”, explica.

Além do acompanhamento médico, hábitos simples podem ajudar na prevenção. Manter uma boa hidratação, dormir bem, ter uma alimentação equilibrada e fazer pausas durante o uso de telas são medidas que podem preservar a lubrificação natural dos olhos.

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Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

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