A nova proposta de tarifas de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros tem prazo de definição até esta quarta-feira (15). A decisão será baseada em uma investigação do USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) referente à seção 301.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) busca se reunir com representantes americanos antes do prazo final e planeja alinhar a agenda com o chefe do USTR, Jamieson Greer. Essa reunião deverá ocorrer em um grupo de trabalho entre os países para discutir as novas tarifas.
A expectativa é que o USTR indique ao Brasil qual será a decisão na investigação. Com a proximidade do fim do prazo, Lula se reuniu com ministros na última sexta-feira (10) e decidiu manter negociações técnicas, sem fazer concessões injustificáveis.
As novas alíquotas devem impactar diversos setores produtivos do Brasil. Um levantamento da CNI (Confederação Nacional da Indústria) aponta que, se as taxas de 25% e 12,5% forem aplicadas, cerca de 4,1 mil produtos exportados pelo Brasil serão afetados, totalizando um volume de US$ 14,9 bilhões em exportações.
“O aumento compromete uma relação comercial construída ao longo de décadas e prejudica empresas dos dois países. Estamos falando de cadeias produtivas altamente integradas, nas quais muitos produtos brasileiros são essenciais para a indústria norte-americana”, destacou Ricardo Alban, presidente da CNI.
O tarifaço de 25% também deve impactar o agronegócio. Um estudo da Farsul (Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul) estima que cerca de US$ 4,2 bilhões em exportações do setor sejam diretamente atingidos pela alíquota. Apesar de algumas exceções, as tarifas devem comprometer 36,8% das vendas do setor para o mercado americano.
Produtos como sebo bovino (US$ 416 milhões) e o complexo sucroalcooleiro (US$ 401 milhões) estão entre as cadeias mais afetadas. A Abimci (Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente) se posicionou contra a medida, afirmando que os produtos brasileiros não competem com a produção americana, mas sim complementam a demanda do mercado dos EUA.
“Nossa expectativa é que as autoridades do governo americano avaliem tecnicamente a defesa dos produtos de madeira processada, pois eles complementam a demanda americana”, afirmou Paulo Pupo, superintendente da Abimci.
O café solúvel, com volume exportado de US$ 1 bilhão em 2025, também pode ser afetado. Algumas exceções feitas pelo USTR incluem carne bovina, café verde e suco de laranja.
Representantes do setor produtivo que participaram das audiências do USTR não acreditam que os Estados Unidos irão adiar as tarifas, mas esperam que a lista de exceções a produtos brasileiros seja ampliada. Diferentes setores do Brasil estão torcendo para que os argumentos apresentados convençam o USTR a aliviar as sobretaxas.
A Amcham Brasil e a CNI enviaram uma carta aos governos dos Estados Unidos e do Brasil defendendo uma solução negociada contra a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros. O ofício também foi assinado pela U.S. Chamber of Commerce e argumenta que a negociação pode evitar efeitos indesejados a empresas, trabalhadores e consumidores nos dois países.
