Entidades da indústria, do comércio e centrais sindicais criticam a decisão do Copom. Alegam que juros elevados encarecem o crédito, travam investimentos e pressionam o orçamento público.
A manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 13,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central foi alvo de críticas de diversas entidades do setor produtivo e de centrais sindicais. Representantes da indústria, do comércio e do movimento sindical apontaram impactos negativos sobre a atividade econômica, o custo do crédito, os investimentos e o orçamento público.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nota classificando a decisão como equivocada e excessivamente conservadora. A entidade afirmou que a manutenção dos juros elevados encarece o crédito, prejudica empresas e famílias e desacelera a economia. O presidente da confederação, Ricardo Alban, defendeu a retomada dos cortes na próxima reunião do Copom, prevista para dezembro.
“É possível continuar diminuindo os juros em ritmo compatível com a convergência da inflação para a meta, sem impor à economia um custo maior do que o necessário para assegurar a estabilidade dos preços”
A CNI também destacou, em sua avaliação, o aumento do endividamento das famílias e a pressão sobre os custos de financiamento das empresas, pontos que, segundo a entidade, agravam as dificuldades para recuperação mais robusta da atividade econômica.
A Associação Paulista de Supermercados (Apas) manifestou preocupação com o efeito dos juros elevados sobre o consumo e os investimentos. O economista-chefe da Apas, Felipe Queiroz, afirmou que as taxas de juros em patamares elevados prejudicaram o comércio, os serviços e a indústria, além de limitar tanto o consumo quanto as decisões de investimento.
“Está na hora de o Banco Central adotar uma política monetária que tanto controle a inflação quanto não prejudique o ritmo de atividade econômica”
Queiroz acrescentou que a taxa de juros era um impedimento ao crescimento econômico e citou a expectativa de expansão inferior a 2% para este ano, conforme a avaliação que apresentou.
Centrais sindicais também criticaram a decisão. A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT) apontaram que a política monetária ampliava o endividamento e comprometia recursos públicos.
“Quanto mais alta a Selic, maior também será a dívida do Estado, com menos recursos sobrando para o que importa, como saúde, educação e segurança”
A Força Sindical classificou a decisão como “irracional, nefasta e desastrosa”. O presidente da entidade, Miguel Torres, afirmou que os juros altos restringem o crédito, a produção e a geração de empregos.
O deputado federal Lindbergh Farias também criticou a manutenção da Selic, atribuindo a decisão a pressões do mercado financeiro após a eleição presidencial e afirmando que a medida encareceu o crédito e sufocou a produção. Em postagem nas redes sociais, o parlamentar cobrou explicações do Banco Central sobre a interrupção do ciclo de cortes e defendeu investimentos em indústria, ciência e infraestrutura.
“É inadmissível que, depois da derrota de seu candidato, a Faria Lima passe a torcer contra o Brasil e use os juros como instrumento de pressão sobre o governo eleito”
As manifestações reunidas criticaram, em síntese, a manutenção da Selic em 13,75% ao ano e demandaram retomada do corte dos juros para reduzir o custo do crédito, aliviar o endividamento de famílias e empresas e estimular investimentos e atividade econômica.
