O setor brasileiro de ferro-gusa contratou um escritório de advocacia nos Estados Unidos com o objetivo de reverter a aplicação de novas tarifas que podem afetar a competitividade do produto no mercado norte-americano. Essas tarifas podem chegar a 37,5% e resultam da combinação de duas medidas que estão em análise nos EUA.
A primeira medida prevê uma cobrança de 25% sobre uma lista de produtos brasileiros, dentro de uma investigação comercial da Seção 301. A segunda, que está relacionada a uma apuração sobre políticas de combate ao trabalho forçado nas cadeias de importação, pode adicionar uma taxa de 12,5%. Apesar de haver uma lista preliminar de exceções à tarifa de 25%, o ferro-gusa brasileiro não está incluído, o que preocupa o setor.
O objetivo da indústria é garantir que o ferro-gusa seja listado entre as exceções. De acordo com o SINDIFER-MG, sindicato que representa a indústria do ferro em Minas Gerais, a entidade está mantendo diálogo com compradores e autoridades nos EUA para tentar minimizar os impactos dessa nova taxação.
O principal temor do setor é que essa nova tarifa comprometa a competitividade do ferro-gusa brasileiro, que é o principal produto exportado pelo Brasil para os Estados Unidos. A avaliação do sindicato é de que, caso as tarifas sejam implementadas, cerca de 55% das usinas brasileiras podem ter que interromper suas atividades.
Uma audiência pública sobre as medidas está marcada para o dia 6 de julho nos Estados Unidos, e a decisão final deve ser anunciada em 15 de julho. O SINDIFER-MG participará da audiência para acompanhar o processo e defender os interesses do setor.
O ferro-gusa é uma das principais matérias-primas utilizadas na produção de aço e ferro fundido. O Brasil é um dos maiores exportadores desse produto, e os Estados Unidos se destacam como o principal destino das exportações brasileiras. Minas Gerais, em particular, concentra a maior parte da produção nacional, com 48 usinas e 63 fornos, possuindo uma capacidade instalada de cerca de 420 mil toneladas por mês, o que representa aproximadamente 70% da produção total do Brasil.
Entre janeiro e maio de 2026, a produção nacional de ferro-gusa foi de cerca de 1,6 milhão de toneladas, sendo que 80% desse volume foi destinado às exportações para os Estados Unidos. Fausto Varela, presidente do SINDIFER-MG, enfatizou: “Esse cenário afeta todo o país, principalmente Minas Gerais, e deverá comprometer empregos, investimentos e a geração de divisas”.
