Você provavelmente já ouviu que especialistas recomendam que crianças não guardem celulares no quarto à noite. Porém, a realidade é que muitos pais acabam permitindo isso. Uma nova pesquisa traz um motivo convincente para reconsiderar essa prática.
Um estudo realizado nos Estados Unidos, envolvendo quase 8.000 jovens de 12 a 14 anos, revelou que crianças que utilizam telas em seus quartos à noite tendem a usar esses dispositivos com mais frequência e apresentam um uso problemático acentuado após um ano. Os resultados foram publicados no periódico médico Acta Paediatrica.
Além disso, a pesquisa aponta que essas crianças estão mais propensas a sofrer e praticar cyberbullying. Essa informação foi divulgada em um segundo estudo publicado no Journal of Adolescent Health. Ambos os relatórios se basearam no Estudo de Desenvolvimento Cognitivo do Cérebro Adolescente, que é um dos maiores estudos nacionais de longo prazo sobre saúde e desenvolvimento cerebral infantil.
O Dr. Jason Nagata, professor associado de pediatria da Universidade da Califórnia, em São Francisco, e principal autor dos estudos, explica que a maior incidência de cyberbullying entre crianças que usam celulares à noite pode ser atribuída à falta de supervisão dos pais em relação ao tempo de tela.
Uma limitação da pesquisa é que os jovens relataram casos de cyberbullying por conta própria, o que pode levar a uma subnotificação. Além disso, os dados mostram que, em média, os jovens gastam quase uma hora em seus celulares entre 22h e 6h em noites de aula, com muitos conectados entre meia-noite e 4h durante a semana.
A Academia Americana de Pediatria já alertou os pais sobre a importância de não deixar os filhos com celulares no quarto durante a noite. Os novos estudos oferecem argumentos adicionais para que os pais reforcem essas regras. “Dormir é muito importante”, afirma Nagata. “A maioria dos adolescentes não dorme o suficiente, e a falta de sono pode afetar a saúde mental e física.”
Ele sugere que os pais aproveitem a hora de dormir para limitar o uso de telas, e que o ideal é manter os celulares fora dos quartos. Caso isso não seja possível, desligar os aparelhos à noite é uma alternativa viável.
Para evitar conflitos com os filhos, é recomendável conversar sobre os benefícios do sono para o desenvolvimento cerebral e a saúde mental. A psicóloga Anna Seewald sugere que pais e filhos leiam artigos e ouçam podcasts sobre a importância do sono.
Outro ponto importante da pesquisa é a relação entre o uso de telas durante as refeições e o aumento do cyberbullying. Quando jovens utilizam dispositivos durante as refeições, a conexão com os pais diminui, o que pode resultar em um ambiente de comunicação menos saudável. Nagata enfatiza que as refeições são momentos valiosos para conversas familiares.
Além disso, o estudo também revelou que crianças que assistem a telas enquanto comem tendem a ganhar mais peso. “Quanto mais distraídas estão, maior a probabilidade de comerem em excesso”, ressalta Nagata.
Seewald sugere que as famílias deixem os celulares em um local central durante as refeições, promovendo um ambiente mais conectado. Ao discutir essa prática, o foco deve ser nos benefícios de se conectar como família, ao invés de apresentar isso como um castigo.
Por fim, a pesquisa aponta que o uso problemático de telas por crianças está associado ao uso excessivo de dispositivos por seus pais. Assim, é importante que os adultos também reflitam sobre seus próprios hábitos.
