Uma queda pode significar muito mais do que uma simples fratura para os idosos, alerta a fisioterapeuta Eliene Fonseca, do Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe (HU-UFS/HU Brasil). Tratar a queda como uma consequência inevitável do envelhecimento é um dos principais equívocos em relação à saúde da pessoa idosa. Na verdade, a maioria das quedas é resultado de fatores que podem ser identificados e prevenidos.
Entre esses fatores, destacam-se a perda de força muscular, alterações no equilíbrio, uso de certos medicamentos e doenças neurológicas e ortopédicas. Além disso, riscos presentes dentro de casa e no ambiente hospitalar também contribuem para esse problema. Eliene enfatiza que uma queda pode desencadear uma série de complicações, como perda da independência, redução da mobilidade e até comprometer a qualidade de vida do idoso.
“Prevenir é sempre mais eficaz do que tratar suas consequências”, afirma Eliene.
Para reduzir os riscos de quedas, o HU-UFS desenvolve um conjunto de ações que envolve diferentes áreas da assistência. Essas estratégias incluem adaptações no ambiente hospitalar, avaliação da funcionalidade dos pacientes, revisão do uso de medicamentos e acompanhamento contínuo por uma comissão dedicada à prevenção de quedas e à segurança do paciente.
Entre as medidas implementadas estão pisos e fitas antiderrapantes, melhor organização dos leitos para evitar obstáculos, iluminação de segurança, cadeiras de banho para pacientes com limitações, grades de proteção, sinalização sobre o nível de mobilidade dos pacientes e pisos táteis em algumas enfermarias. Essas adaptações visam proporcionar um ambiente mais seguro para os idosos.
A prevenção de quedas também depende da atuação integrada de diferentes profissionais. O fisioterapeuta desempenha um papel crucial na recuperação da força, do equilíbrio e da capacidade funcional, especialmente em idosos e pacientes debilitados. “Nossa meta é ajudar esses pacientes a se movimentarem com mais segurança”, comenta Eliene.
Além da equipe de fisioterapia, médicos e farmacêuticos também estão envolvidos no processo, revisando medicamentos que podem aumentar o risco de quedas. As equipes de enfermagem, fisioterapia e terapia ocupacional atuam em conjunto para minimizar as ocorrências.
O hospital ainda monitora indicadores de segurança, como o número de quedas com e sem danos e a taxa de quedas por paciente-dia. Essas informações ajudam na elaboração contínua de planos de melhoria. Para Eliene, muitas quedas podem ser evitadas com informação, avaliação adequada e pequenas mudanças na rotina.
“Quedas não fazem parte do envelhecimento saudável. Quanto mais cedo identificarmos os fatores de risco, maiores são as chances de preservar a autonomia e a qualidade de vida”, conclui a especialista.

