Itabaiana · sexta-feira · 02 de outubro de 2026
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Uma perícia privada, solicitada pela defesa da dona da produtora Go Up Entertainment, apontou que os contratos do filme Dark Horse previam um retorno financeiro de R$ 1,20 para cada R$ 1 investido pelos financiadores privados. Assim, os documentos identificavam uma remuneração de 20% para quem realizasse aportes econômicos na produção.

A obra cinematográfica retrata a vida pessoal e política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A produção se tornou alvo de polêmicas e críticas após a divulgação de um áudio do senador Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente e pré-candidato ao Planalto, que solicitou apoio econômico de Daniel Vorcaro para a realização do filme.

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De acordo com informações anteriores, a mesma perícia constatou que a cinebiografia do ex-presidente teve um custo total de R$ 75 milhões e não contou com recursos públicos para a sua realização.

O documento foi apresentado pela defesa da produtora dentro do processo da Operação Wi-Fi Livre, realizada pela Polícia Civil de São Paulo, que investiga supostas fraudes em licitação da Prefeitura de São Paulo, envolvendo o ICB (Instituto Conhecer Brasil) no valor de R$ 108 milhões. A empresa pertence a Karina Ferreira da Gama, proprietária da Go Up Entertainment. Vale ressaltar que o inquérito da Operação Wi-Fi Livre não investiga diretamente fatos relacionados ao filme Dark Horse.

A defesa da produtora procurou esclarecimentos sobre a perspectiva de lucro do filme e manifestações sobre as investigações relacionadas à Operação Wi-Fi Livre, mas não houve retorno até o momento da publicação desta matéria.

O documento produzido pelo instituto afirma que os recursos usados pela Go Up foram movimentados por “meios formais, rastreáveis e documentalmente identificáveis”. A perícia ainda não encontrou indícios de uso de recursos públicos, incentivos fiscais ou verbas da Lei Rouanet na produção.

A análise contratada pelos advogados da dona da produtora considerou entradas e saídas financeiras registradas nos extratos bancários da produtora, além de despesas relacionadas à produção, equipe técnica, fornecedores, logística, hospedagem, alimentação, segurança, infraestrutura e equipamentos, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.

No entanto, o instituto não detalha a origem dos recursos no documento, alegando que os contratos analisados têm “natureza confidencial”, de acordo com as cláusulas da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados).

A perícia menciona um contrato firmado em 24 de fevereiro de 2025, entre a produtora e o fundo Havengate, para investimento no filme. O aporte feito pelo fundo soma US$ 13 milhões, equivalente a R$ 75 milhões, utilizado para a realização da obra. O Havengate é suspeito de ter sido o fundo usado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para custear o Dark Horse.

Em 1º de junho, a Polícia Civil de SP deflagrou a Operação Wi-Fi Livre para investigar uma possível relação entre a Prefeitura de São Paulo e o ICB, de Karina Ferreira da Gama. A investigação apura suspeitas de fraude em uma licitação da prefeitura, no valor de R$ 108 milhões, e verifica eventuais irregularidades na implantação e operação de 5.000 pontos de acesso à rede pública de Wi-Fi em comunidades do município.

A Prefeitura de São Paulo afirmou que colabora com as investigações e já prestou as informações requisitadas às autoridades. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) declarou que os detalhes da investigação não correspondem à realidade, defendendo a gestão e negando irregularidades no contrato do programa Wi-Fi Livre Comunidades, que é alvo da operação.

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