Renan Santos cresce nas pesquisas incomodando direita e esquerda. Inspirado em Milei, o pré-candidato do Missão mira eleitores conservadores insatisfeitos com as lideranças tradicionais.
Renan Santos, pré-candidato à Presidência pelo recém-criado partido Missão, está causando desconforto em ambos os lados do espectro político. Ele ataca tanto a família Bolsonaro quanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com a mesma intensidade e vem ganhando espaço nas pesquisas eleitorais.
Inspirado em propostas libertárias do presidente argentino Javier Milei, Santos tem se destacado nas redes sociais e busca criar um diálogo direto com eleitores conservadores, mostrando que possui uma independência própria em relação aos tradicionais grupos políticos. Embora os números ainda sejam iniciais, a pesquisa eleitoral divulgada pela Genial/Quaest no último dia 10 indica que Santos tem 3% das intenções de voto, empatado com o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União). Ambos estão atrás de Lula, que lidera com 39%, e do senador Flávio Bolsonaro, que possui 29%.
Além disso, Santos se destaca como uma alternativa na chamada “terceira via”, apresentando um crescimento nas intenções de voto em um eventual segundo turno, passando de 28% para 31%. O levantamento, que ouviu 2.004 pessoas entre os dias 5 e 8 de junho, possui uma margem de erro de 2 pontos percentuais.
“Flávio Bolsonaro não pode ver um cara envolvido num escândalo, ele vê um esquema e fala: ‘por favor, me inclua’. Não existe meio gângster”, declarou Renan Santos durante um evento em São Paulo.
Suas propostas são marcadas pela defesa de uma “guerra” contra facções criminosas e a discussão sobre a adoção de medidas extremas, como a prisão perpétua e a pena de morte. Para o cientista político Wagner Gundim, a candidatura de Santos representa mais um projeto de consolidação partidária do que uma viabilidade eleitoral imediata. No entanto, sua ascensão pode ser vista como uma ameaça à hegemonia da família Bolsonaro e à direita tradicional.
Gundim aponta que o crescimento de Santos se dá em um contexto onde figuras como Caiado e Zema apresentam estagnação, destacando que Santos se comunica diretamente com um eleitorado mais jovem e masculino, aproveitando a infraestrutura digital herdada do Movimento Brasil Livre (MBL).
“Renan fala com uma parte da direita frustrada que quer combater o PT, mas não quer carregar os passivos da família Bolsonaro”, afirma o cientista político Samuel Oliveira.
Oliveira ressalta que a candidatura de Santos demonstra um amadurecimento político, mostrando-se menos improvisada e mais organizada em comparação com a fase anterior do MBL. O cenário atual sugere que Renan Santos está se posicionando como uma alternativa viável para os eleitores que desejam mudanças, sem necessariamente se alinhar aos escândalos de corrupção que marcaram a política brasileira nos últimos anos.
