O líder do governo no Senado virou alvo de nova operação da Polícia Federal ligada ao Banco Master. Investigações apontam vantagens milionárias repassadas ao senador e a parentes seus.
O caso envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA) se transforma em uma nova preocupação para o Palácio do Planalto. O líder do governo no Senado foi alvo de uma nova operação da Polícia Federal (PF) relacionada ao Banco Master. Segundo as investigações, ele teria recebido um apartamento avaliado em quase R$ 2,5 milhões do banqueiro Augusto Ferreira Lima, ex-sócio da instituição financeira.
A Polícia Federal também aponta o recebimento de outras vantagens econômicas, incluindo o repasse de mais de R$ 5,5 milhões para uma empresa administrada por parentes do senador, além do uso gratuito de aeronaves custeadas pelo ex-banqueiro e de ingressos para shows no exterior.
Jaques Wagner afirmou que continua contando com a confiança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e que permanecerá na liderança do governo no Senado.
Ainda assim, a repercussão de suas declarações não foi positiva dentro do Planalto. O temor é que o desgaste provocado pelo caso acabe contaminando a campanha de reeleição do presidente da República.
Além disso, há uma preocupação adicional em relação aos reflexos sobre a agenda do governo no Senado. A pauta antes do recesso parlamentar, que começa em 17 de julho, é extensa e inclui temas importantes para o Executivo, como o fim da escala 6×1, a medida provisória do frete mínimo, a autonomia financeira do Banco Central e a aposentadoria especial de agentes de saúde.
Nesse contexto, a expectativa é de que Jaques Wagner deixe a liderança do governo como parte de uma estratégia de contenção de danos. O senador Rogério Carvalho (PT-SE), atual primeiro vice-líder do governo, aparece como o principal nome para assumir a função.
Daqui para frente, tanto a campanha de Lula quanto a do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) devem continuar tentando associar o escândalo do Banco Master aos adversários. Há ainda muito a ser revelado sobre o caso e seus desdobramentos, o que pode tornar o tema um dos fatores que ajudarão a definir a disputa presidencial de outubro.
Esse cenário foi analisado por Cristiano Noronha, especialista em Administração Pública e mestre em Ciência Política pela UnB (Universidade de Brasília), sócio e vice-presidente da consultoria de análise política Arko Advice.
