Itabaiana · domingo · 04 de outubro de 2026
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O valor das petroleiras geralmente acompanha a cotação do petróleo. Quando o preço da commodity sobe, suas receitas tendem a aumentar. Contudo, os papéis da Petrobras, a maior estatal do Brasil, recuaram desde o pico de quase R$ 54 alcançado no final de abril.

No último dia de abril, o barril do tipo Brent, referência internacional negociada na ICE, estava próximo dos US$ 120, em meio à tensão da guerra entre os Estados Unidos e o Irã. As negociações de cessar-fogo estavam instáveis, e o Irã havia ameaçado uma “resposta longa e dolorosa” caso os EUA realizassem novos ataques.

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Após isso, os preços do petróleo começaram a cair, refletindo um progresso, ainda que frágil, nas tratativas de paz. No entanto, sempre que surgiam sinais de risco, o mercado se tensionava novamente, levando a novos picos nos preços do petróleo. A cotação recuou tanto que superou as expectativas de muitos agentes econômicos, que não acreditavam que o petróleo voltaria a preços comparáveis aos do período anterior à guerra ainda este ano.

Apesar desse recuo, analistas afirmam que a Petrobras permanece sólida. “Quando analisamos um período de seis meses ou um tempo um pouco mais amplo, incluindo antes do conflito, o preço da empresa continua forte, com uma correlação positiva em relação ao petróleo”, comentou Rivaldo Moreira Neto, sócio-diretor da A&M Infra.

A Petrobras mantém fundamentos robustos. Embora a cotação do petróleo influencie diretamente o faturamento das petroleiras, a queda nos preços não deve impactar significativamente a receita da Petrobras, já que a companhia não adota os preços do mercado internacional e participou dos programas de subvenção de combustíveis do governo, estabilizando seus preços. Thiago Davino, analista macro da Agrinvest Commodities, enfatiza essa estratégia.

Olhos voltados para o futuro, os analistas indicam que a Petrobras possui fundamentos positivos que fortalecem sua posição. “A Petrobras ainda é negociada a múltiplos relativamente descontados em comparação a grandes petroleiras internacionais, apresentando uma geração de caixa elevada, baixo custo de produção e uma forte capacidade de pagamento de dividendos, embora esses possam oscilar com o preço do petróleo e as decisões da administração”, pontuou Fábio Murad, economista e sócio-fundador da Ipê Avaliações.

Um aspecto destacado por Davino é a capacidade de produção da estatal. A Petrobras tem aumentado sua produção mês a mês e espera elevar sua produtividade em 1 milhão de barris por dia nos próximos dois anos. “O plano de negócios 2026-2030 reforça a disciplina de capital, focando em projetos de alto retorno e baixo breakeven. A empresa caminha para picos de produção de petróleo em torno de 2,7 milhões de barris por dia em 2028, além de avanços em biocombustíveis e exploração em novas fronteiras”, acrescentou Gabriel Uarian, analista-chefe da Cultura Capital.

Apesar da volatilidade, a política de dividendos da Petrobras é considerada atrativa, com yields projetados altos para o setor, sustentados por uma forte geração operacional dolarizada. Thiago Davino também ressalta o potencial da Margem Equatorial como um fator de crescimento futuro.

Concluindo, Rivaldo Moreira Neto destaca que, mesmo com a queda nos preços do petróleo, a Petrobras ainda se mostra resiliente no mercado de exportação. A companhia tem potencial para manter sua competitividade, mesmo com o Brent caindo para US$ 60 ou US$ 50. No entanto, o cenário é permeado por riscos, já que a situação atual ainda não está resolvida, com novos ataques dos EUA ao Irã e a incerteza em relação às eleições no Brasil, que podem afetar a estatal.

Para Renato Reis, analista da Blue3 Investimentos, a Margem Equatorial é um ponto-chave. “Explorar e operar na Margem Equatorial é crucial para a Petrobras. Se não conseguirem, a produção pode cair drasticamente, tornando a situação da empresa mais complicada nos próximos anos”, concluiu.

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Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

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