Itabaiana · sábado · 03 de outubro de 2026
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No final de janeiro, Norma disse adeus ao seu filho no aeroporto de Lima, Peru. Ele havia encontrado um trabalho como cozinheiro para o Exército russo, prometendo que estaria longe da guerra na Ucrânia. Para ele, essa era uma oportunidade de ganhar um bom dinheiro e até obter a cidadania russa.

Norma, preocupada, desconfiou da situação, pois seu filho, de 31 anos, nunca havia viajado para fora do Peru e não tinha experiência com armas. Ela considerou até chamar a polícia, mas seu filho pediu que ela confiasse nele e não o envergonhasse. “Ele me deixou com o coração partido”, disse Norma. “Algo me dizia que havia algo errado.”

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Ao deixá-lo no aeroporto, Norma notou que havia outros peruanos indo para a Rússia, mas eles se recusaram a conversar. Logo depois, ela recebeu vídeos do filho, revelando a realidade de sua situação. Ele havia se juntado a outros homens peruanos que foram atraídos por promessas de emprego e foram levados a lutar na Ucrânia.

Os vídeos mostravam seu filho em um ambiente de combate, cavando trincheiras e construindo abrigos com outros combatentes. Durante chamadas esporádicas, Norma ouviu explosões ao fundo, mas seu filho a tranquilizava, dizendo que estavam a salvo. Contudo, os vídeos pararam de chegar em abril, quando ele mencionou estar sendo punido por um comandante. “Ele me disse para me acalmar, mas desde então não tive mais notícias dele”, afirmou Norma, expressando sua angústia.

Com a continuidade da guerra, as forças armadas russas têm recrutado homens de países em desenvolvimento com promessas de altos salários. Muitos deles, como os peruanos, vêm de contextos empobrecidos e são facilmente enganados por recrutadores. Pedro Bravo, do Ministério das Relações Exteriores do Peru, comentou sobre a vulnerabilidade desses indivíduos, afirmando que muitos estão em necessidade urgente e não compreendem bem a realidade internacional.

Além de Norma, outras famílias também têm buscado respostas sobre seus entes queridos, protestando em frente à Embaixada da Rússia em Lima. Rosa, mãe de três filhos, relatou que seu marido viajou à Rússia acreditando que conseguiria um emprego como segurança, sem saber que seria enviado para a guerra. A situação de muitos desses recrutas é preocupante, e a falta de informação e recursos os torna alvos fáceis para recrutadores mal-intencionados.

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Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

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