Itabaiana · quinta-feira · 08 de outubro de 2026
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O Paraguai, tradicionalmente conhecido como um destino de turismo de compras para brasileiros, vem se consolidando nos últimos anos como um local estratégico para negócios. Incentivos fiscais atrativos e custos operacionais reduzidos têm atraído um número crescente de empresários brasileiros a produzir do outro lado da fronteira.

As cidades paraguaias próximas ao Brasil, especialmente na região do Paraná, estão passando por uma intensa transformação. Avenidas se tornaram canteiros de obras, e novos parques industriais, além de condomínios, estão surgindo rapidamente, impulsionados pela chegada de investimentos estrangeiros.

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O fluxo de brasileiros no Paraguai tem aumentado consideravelmente. Segundo o Departamento de Migrações do Paraguai, em 2024, cerca de 17 mil brasileiros obtiveram autorização para residir no país. Em 2025, esse número saltou para mais de 23 mil, representando um crescimento de 37%. Mesmo de madrugada, muitos brasileiros formam filas em postos itinerantes de migrações em Ciudad del Este, a menos de 4 quilômetros da Ponte da Amizade, para solicitar a documentação de residência.

“Estamos pensando em migrar para o Paraguai”, declarou um empresário de Curitiba, demonstrando interesse em transferir suas operações para o país vizinho.

Os grandes investidores brasileiros estão sendo atraídos principalmente pelos incentivos governamentais para as empresas maquiladoras, que são voltadas para a exportação de bens e serviços. Entre os benefícios estão isenções fiscais e aduaneiras, um imposto único de 1% sobre as exportações e a suspensão tributária para importações de maquinário e matéria-prima. Atualmente, existem pelo menos 179 empresas de capital brasileiro atuando no Paraguai sob esse regime, com 47 delas se instalando no país nos últimos cinco anos.

“Essas empresas estão indo para o Paraguai para vender produtos para o Brasil”, explicou Sergio Firpo, professor do Insper.

Marcas brasileiras como a Karsten, fabricante de artigos de cama, mesa e banho, já iniciaram operações no Paraguai. A empresa abriu uma unidade de confecção em Minga Guazú, planejada para a etapa final da produção de toalhas. A Lupo, conhecida pela fabricação de roupas íntimas e meias, também está entre as empresas que se estabeleceram recentemente no país.

Um advogado que atende empresas brasileiras no Paraguai destacou que a rentabilidade das operações “em determinados casos assusta”, devido aos ganhos tributários e aos encargos trabalhistas. Embora o desemprego no Paraguai tenha chegado a 3,5% no ano passado, cerca de 60% dos trabalhadores estão na informalidade. A chegada de empresas estrangeiras é vista como uma oportunidade de reverter esse quadro.

Além das mudanças no mercado de trabalho, o país já demonstra transformações visíveis, como a construção de condomínios de alto padrão para os profissionais que vão trabalhar nas novas indústrias. No entanto, o crescimento industrial no Paraguai também apresenta desafios. A energia no país pode ser até 60% mais barata do que no Brasil, mas enfrenta problemas na distribuição. Para contornar isso, as empresas precisam investir em geradores ou buscar parques industriais com subestações de energia.

O governo paraguaio reconhece o desafio da infraestrutura, mas afirma que continuará mantendo impostos baixos e transferindo a responsabilidade da infraestrutura pública para o setor privado. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio do Brasil declarou que a decisão de empresas brasileiras de se estabelecerem no exterior é uma opção privada e não está sob monitoramento, embora o governo acompanhe os anúncios feitos publicamente.

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Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

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