O novo formato da Copa do Mundo, que contará com 48 seleções, ampliou o número de participantes e tornou o torneio mais inclusivo. No entanto, essa mudança também trouxe à tona discussões sobre o equilíbrio esportivo da competição.
Além das críticas relacionadas ao calor, logística e às paradas para hidratação, o regulamento passou a ser questionado. Isso ocorre porque ele cria situações em que o desempenho dentro de campo não garante vantagens equivalentes.
A principal questão surge logo no início da fase de mata-mata. Com a nova estrutura, a Copa apresenta 12 grupos de quatro seleções cada. Avançam os dois primeiros colocados de cada grupo, além dos oito melhores terceiros colocados, formando um mata-mata com 32 equipes. Para acomodar esse novo modelo, a FIFA definiu previamente os cruzamentos da fase eliminatória.
Na prática, isso resultou em que alguns líderes de grupo enfrentem terceiros colocados, enquanto outros encaram vice-líderes. O resultado é uma diferença significativa na dificuldade entre seleções que tiveram o mesmo desempenho na fase de grupos.
Um exemplo claro é o Brasil, que após terminar na liderança de sua chave, enfrentará o Japão, segundo colocado do Grupo F e uma das seleções mais competitivas do torneio. Em contrapartida, outros líderes podem se deparar com equipes que avançaram como terceiros colocados, classificadas com apenas três ou quatro pontos. Assim, vencer o grupo deixou de ser uma vantagem uniforme.
No formato anterior, quem fazia uma boa campanha normalmente encontrava um adversário de menor desempenho na fase seguinte. Contudo, na Copa de 2026, essa lógica foi enfraquecida. Os cruzamentos pré-determinados fazem com que o caminho de uma seleção dependa não apenas dos resultados em campo, mas também do grupo em que caiu no sorteio.
Isso quer dizer que duas equipes com campanhas quase idênticas podem receber recompensas completamente diferentes, dependendo de suas posições no chaveamento. Essa situação representa uma quebra parcial do princípio do mérito esportivo, uma vez que o desempenho já não é o único fator a definir o grau de dificuldade no mata-mata.
Outro aspecto que levanta debates é a classificação dos melhores terceiros colocados. Como os grupos são encerrados em dias diferentes, as equipes que jogam nas últimas rodadas conhecem as pontuações e saldo de gols necessários para avançar. Já quem joga primeiro precisa assumir riscos sem saber se eles são realmente necessários.
A diferença de contexto pode influenciar diretamente a estratégia das equipes, criando uma vantagem competitiva com base no calendário da competição. Embora as partidas da última rodada de cada grupo aconteçam simultaneamente, a comparação entre terceiros colocados ocorre ao longo de vários dias, permitindo que seleções dos grupos finais joguem com um cenário mais claro.
Além disso, a Copa de 2026 introduziu uma mudança nos critérios de desempate, priorizando o confronto direto em relação ao saldo de gols. Isso significa que uma seleção pode ser eliminada mesmo apresentando um saldo superior ao de um concorrente, o que também gerou debates.
A ampliação da Copa do Mundo era uma demanda antiga da FIFA, que busca aumentar a representatividade das confederações e levar mais países ao torneio. Contudo, o novo formato levanta a questão sobre o quão equilibrado é o regulamento em premiar aqueles que fazem uma boa campanha. Com a manutenção desse formato para 2030, a discussão sobre essas lacunas na classificação provavelmente continuará.
