O governo dos Estados Unidos oficializou na quinta-feira (15) uma nova rodada de tarifas contra produtos brasileiros. Essa medida inclui uma alíquota adicional de 25% sobre diversos itens, conforme recomendação do USTR.
O analista Lourival Sant’Anna comentou durante o WW que o protecionismo brasileiro pode dificultar as negociações com o governo dos EUA. Segundo ele, o Brasil se mostra particularmente vulnerável às tarifas americanas, considerando seu histórico de protecionismo.
“Porque o Brasil é altamente protecionista. Essa é uma questão que muitos brasileiros ou ignoram, não sabem ou não querem saber”, afirmou.
Sant’Anna ressaltou que a postura tarifária do presidente americano, Donald Trump, não é uma novidade. Ele lembrou que Trump acredita em tarifas há 40 anos, e desde os anos 80, durante suas aparições em público, já falava sobre o tema.
“O Trump acredita em tarifas há 40 anos. Naquela época, nos anos 80, quando ele foi se tornando uma pessoa pública e dando entrevistas, ele falava de tarifas, acreditava em tarifas”, disse Sant’Anna.
O analista também destacou a visão mercantilista de Trump, que compara o mercado americano a uma loja de departamentos. Para ele, essa analogia é clara: “Para você entrar, você tem que pagar um ingresso. Se você quer acessar o mercado americano, você tem que pagar um pedágio. É assim que ele pensa”.
A nova medida dos EUA provocou debates políticos no Brasil, com setores do PT (Partido dos Trabalhadores) tentando associar o tarifaço ao grupo bolsonarista. Sant’Anna, no entanto, considera essa associação um erro.
“Isso é superestimar a influência dos Bolsonaros e da sua corrente sobre o governo americano”, afirmou.
Ele explicou que a influência do campo bolsonarista é limitada, podendo apenas acelerar decisões que já estavam em andamento no governo dos EUA. Para Sant’Anna, as tarifas são uma política já existente e não uma resposta a pressões de grupos específicos.
“Eles conseguem sugerir, por exemplo, trazer subsídios para que o governo americano adote uma medida que já estava decidida e encaminhada”, concluiu.
