Itabaiana · sexta-feira · 02 de outubro de 2026
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Para enfrentar um problema crescente de saúde pública no Brasil, que é a proliferação de escorpiões em áreas urbanas, uma startup de Ribeirão Preto lançou uma estratégia inovadora. A Ecobiotech apresentou, em junho de 2026, a Scorpfem, uma armadilha adesiva que não utiliza veneno.

A empresa, que está incubada no SUPERA Parque de Inovação e Tecnologia, busca mudar a abordagem tradicional de combate a escorpiões, que geralmente envolve o uso de veneno assim que um escorpião é avistado, sem conhecimento sobre a quantidade de espécimes ou o tamanho da infestação.

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A Scorpfem foi projetada especificamente para captura e monitoramento dos escorpiões. Por não conter veneno, o produto é considerado seguro para uso em residências, condomínios, empresas e locais com histórico de avistamento desse animal. Sua principal inovação é um bioindutor atrativo alimentar, que incentiva o escorpião a se deslocar em busca de comida, levando-o até a armadilha.

A tecnologia foi calibrada para o escorpião-amarelo (Tityus serrulatus), a espécie mais relevante em termos de saúde pública no Brasil. A diretora de P&D da Ecobiotech, Thaís Maester, comentou que “o escorpião-amarelo se tornou um problema de saúde pública diretamente ligado ao crescimento urbano. Entulhos, acúmulo de lixo e a presença de baratas, que são o principal alimento da espécie, criam condições favoráveis para a proliferação”.

Atualmente, o escorpião-amarelo é o responsável pela maioria dos casos de picadas por animais peçonhentos no Brasil. Em 2025, o Ministério da Saúde registrou mais de 225 mil picadas, representando mais de 65% dos acidentes, superando os casos envolvendo serpentes e aranhas. Portanto, a simples eliminação de um escorpião avistado em casa é uma solução limitada, sendo fundamental entender se ele representa um caso isolado ou parte de uma infestação maior. É aqui que a Scorpfem se destaca, pois funciona como uma ferramenta de diagnóstico.

A armadilha pode ser instalada em locais estratégicos, como jardins, ralos, caixas de esgoto, garagens e depósitos. Por não conter veneno, é uma alternativa mais segura para ambientes com crianças e animais de estimação, além de minimizar o impacto ambiental. O escorpião-amarelo possui um sistema quimiorreceptor que lhe permite detectar cheiros no ambiente e localizar comida, mesmo à distância. Testes de campo mostraram que a armadilha é eficaz quando posicionada em um raio de até cinco metros dos focos de infestação.

Os kits da Scorpfem incluem a armadilha, sachês do bioindutor atrativo alimentar e refis de cola adesiva de alta retenção. A proposta é permitir tanto a captura quanto a contagem dos escorpiões, ajudando a mapear o nível de infestação. A fabricante ressalta que, dentro de casa, o alcance do atrativo pode ser influenciado por odores, vibrações e movimentação de pessoas, por isso a armadilha possui um abrigo escuro que facilita a entrada do animal durante a noite.

A armadilha é flexível e pode ser instalada pelo próprio morador, síndico ou empresa, ou por um profissional de controle de pragas. Atraído pelo bioindutor, o escorpião é capturado na superfície adesiva e permanece imobilizado até morrer. No entanto, Maester alerta que nenhuma ferramenta isolada resolve o problema do escorpião-amarelo, que requer ações integradas de manejo. Ela descreve a Scorpfem como um instrumento técnico de captura e monitoramento, capaz de identificar focos de infestação e orientar ações de controle mais específicas.

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Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

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