A escassez global de memória RAM já pressiona fabricantes a repassar custos aos consumidores. Analistas alertam que notebooks devem encarecer entre 15% e 30% ao longo do ano.
A crise de memória RAM, que começou no final do ano passado, inicialmente afetou apenas os PCs de mesa, mas agora também está impactando os notebooks. O aumento nos preços das memórias precisa ser repassado aos consumidores, resultando em uma elevação significativa nos preços dos aparelhos. Analistas do mercado estimam que os preços dos notebooks podem subir entre 15% a 30% ao longo do ano.
O fenômeno conhecido como “RAMageddon” transformou um problema específico para montadores de PCs em uma crise global. A principal causa dessa situação é a crescente demanda por memória DRAM, impulsionada pelo avanço da inteligência artificial. Grandes empresas de tecnologia estão consumindo uma quantidade significativa da produção de DRAM para atender às necessidades de seus data centers de IA, levando fabricantes como Samsung, SK Hynix e Micron a redirecionar suas linhas de produção para memórias HBM, que têm maior margem de lucro.
Com essa mudança, a oferta de DRAM comum para computadores caiu drasticamente. Por exemplo, um kit básico de 32 GB DDR5, que custava US$ 80 no ano passado, agora atinge US$ 439 em junho de 2026. Esse aumento de preços está afetando diretamente os consumidores, com a HP relatando que a RAM agora representa 35% do custo total de componentes de um PC.
Marcas como Dell, Lenovo, Acer e ASUS já repassaram esses aumentos, com notebooks intermediários passando de US$ 900 para mais de US$ 1.200. Como resultado, modelos com apenas 8 GB de RAM, que estavam em desuso, estão voltando a ser vendidos com força para conter os custos.
Projeções indicam que os preços combinados de DRAM e SSDs podem escalar até 130% até o final do ano, resultando em uma queda de 10,4% nas vendas globais de PCs. Analistas acreditam que um alívio na produção só deve ocorrer no final de 2027, embora empresas como a AMD prevejam que a situação pode se prolongar ainda mais, até que novas fábricas comecem a operar em massa.
Além da memória RAM e dos SSDs, é importante lembrar que processadores e placas-mãe também estão sendo afetados por essa crise, o que pode impactar ainda mais o mercado de tecnologia nos próximos meses.

