Las Vegas (EUA) – A combinação de vídeo, podcasts e rádio tradicional foi apresentada como a principal rota de crescimento para emissoras durante o painel “Hot Digital Trends: What to Know About Video, Podcasts and AI”, realizado nesta quarta-feira (22) no NAB Show 2026. A discussão reuniu dirigentes de grandes plataformas e grupos de mídia, sob moderação de John Wordock, da WTOP (Washington, D.C.).
Vídeo digital domina receitas
Dados expostos pelos palestrantes mostram que o mercado de vídeo digital movimenta cerca de US$ 78 bilhões nos Estados Unidos, contra aproximadamente US$ 3 bilhões dos podcasts. Para Andy Slater, da Amazon, inserir vídeo na operação de rádio “é um acelerador de crescimento” ao conectar as emissoras a um segmento muito mais amplo.
O público para esse formato também cresce rapidamente: hoje, 233 milhões de norte-americanos contam com smart TVs conectadas, ampliando o potencial de distribuição de conteúdo audiovisual.
Fortalecimento de marca e proximidade com o público
Neha Taleja, executiva do YouTube, destacou que a presença em vídeo aprofunda a relação entre comunicador e audiência. Mesmo em consumo multitarefa, ver o rosto por trás da voz aumenta credibilidade e engajamento, afirmou.
Receita adicional para as emissoras
Michael Biemolt, da Audacy, ressaltou que a entrada no vídeo gera novas impressões publicitárias, amplia o alcance de conteúdos locais para escala regional ou nacional e cria fontes extras de faturamento. Segundo ele, “a motivação é simples: receita”.
Modelo multimodal: vídeo complementa, não substitui, o áudio
Os painelistas foram unânimes em dizer que áudio e vídeo se reforçam mutuamente. A tendência é oferecer ao público múltiplas portas de entrada – assistir ou apenas ouvir. O baixo custo de implantação foi citado como ponto favorável: muitas rádios já possuem estrutura capaz de registrar em imagem o conteúdo produzido no estúdio.
Podcasts mantêm trajetória ascendente
Na segunda parte do debate, o foco recaiu sobre podcasts. Pesquisas apresentadas indicam que 58% dos americanos escutam podcasts mensalmente e 57% consomem o formato tanto em áudio quanto em vídeo. A receita do setor cresce perto de 18% ao ano, com projeções de atingir entre US$ 8 bilhões e US$ 10 bilhões nos próximos anos.
Para as rádios, o podcast foi classificado como “extensão natural” da programação. Slater lembrou que a reutilização de conteúdos ao vivo em versão sob demanda prolonga o tempo de exposição do ouvinte e gera novas oportunidades de venda. Biemolt afastou o temor de perda de público linear: “é expansão de audiência, não substituição”.
Desafios e oportunidades
Apesar da concentração de receita nos grandes players, os executivos enxergam espaço para produtores de médio porte, impulsionados por ferramentas de segmentação e monetização cada vez mais acessíveis.
O consenso no painel é que o momento exige adaptação rápida. A integração de áudio, vídeo e distribuição digital amplia alcance, fortalece as marcas de rádio e abre frentes de receita em um cenário competitivo e fragmentado.
Fonte: Tudo Rádio
