Milhares de jovens indianos foram às ruas de Calcutá e Nova Délhi na segunda-feira (20) para exigir a renúncia do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan. Os protestos estão ligados ao movimento conhecido como “das baratas”, que ganhou força entre os jovens da geração Z, que se sentem ignorados pelas autoridades do país.
Esse grupo se autodenomina CJP (Cockroach Janta Party) como uma forma de sátira ao principal partido da Índia, o BJP (Bharatiya Janata Party). A organização busca dar voz a aqueles que são frequentemente chamados de preguiçosos e desempregados, em referência a comentários feitos pelo presidente da Suprema Corte da Índia, Surya Kant, que comparou jovens desempregados a baratas, afirmando que “não conseguem emprego e não têm lugar na profissão”.
Apesar de Surya Kant ter se retratado, o termo se popularizou, impulsionando o CJP, que atualmente conta com mais de 24 milhões de seguidores no Instagram e se tornou um movimento real de protesto. O desemprego juvenil na Índia é uma preocupação crescente, com dados de 2025 mostrando uma taxa de 9,9% entre jovens de 15 a 29 anos, que sobe para 13,6% nas áreas urbanas e 8,3% nas rurais.
O fundador do CJP, Abhijeet Dipke, junto com seus apoiadores, iniciou um protesto permanente no mês passado após um vazamento de provas do exame nacional de admissão às faculdades de Medicina, que afetou mais de 2 milhões de estudantes, resultando na necessidade de refazer o exame. Essa situação culminou em tragédias, incluindo o suicídio de cerca de 12 estudantes.
O apoio aos protestos aumentou após a violenta resposta policial, que deixou cerca de 180 feridos, incluindo policiais e manifestantes. Aproximadamente 10 mil pessoas estavam presentes nas manifestações em Nova Délhi, que ocorreram sob forte tensão.
As atuais exigências do CJP incluem a libertação do ativista Sonam Wangchuk, que está em greve de fome há mais de 20 dias para apoiar a causa, a renúncia de Pradhan e uma indenização de 10 milhões de rúpias (cerca de 530 mil reais) para cada estudante que cometeu suicídio após o vazamento.
O CJP também disponibiliza um manifesto em seu site, revelando seus objetivos se o partido assumir o poder. Entre as propostas, está a proibição de que ex-presidentes da Suprema Corte recebam cadeiras na Rajya Sabha após a aposentadoria, e a prisão da Comissão Eleitoral em caso de anulação de votos legítimos. Além disso, o partido propõe uma reserva de 50% das vagas para mulheres, cancelamento das licenças de empresas de mídia controladas por bilionários, e punições severas para integrantes do Parlamento que mudarem de partido.
O CJP se apresenta como uma plataforma para desempregados e aqueles que se sentem marginalizados, promovendo um espaço de debate e mobilização entre a juventude indiana.

