O Partido Missão realizou nesta segunda-feira, dia 20, uma convenção on-line, sem transmissão ao vivo, que oficializou o empresário e ativista político Renan Santos como candidato à Presidência da República. Para a vice-candidatura, foi escolhido Aroldo Medina, militar da reserva. Essa é a primeira candidatura presidencial confirmada em convenção até o momento.
Outros candidatos como Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) também devem confirmar suas candidaturas nas próximas duas semanas. Renan Santos destacou que a decisão de antecipar a convenção foi tomada por recomendação da equipe de segurança da pré-campanha, em resposta a uma série de ameaças atribuídas a facções criminosas.
“Estar com a Polícia Federal não é mais uma questão de conveniência ou até de redução de gastos, dado que equipes privadas são mais caras. É uma questão de sobrevivência”, afirmou Renan Santos em um vídeo divulgado por sua equipe de campanha.
Com a confirmação da candidatura, Renan Santos passa a contar com proteção da Polícia Federal. Ele relatou ter interrompido uma agenda no Ceará após receber ameaças de duas facções criminosas e também mencionou episódios de ameaças em São Paulo e no Rio de Janeiro durante atividades públicas.
A realização das convenções partidárias está liberada desde o dia 20 e deve ocorrer até 5 de agosto. Durante esses eventos, os filiados dos partidos escolhem os candidatos que irão disputar cargos nas eleições deste ano, incluindo presidente, governador, senador, e deputados federais e estaduais.
Após a realização das convenções, as candidaturas deverão ser registradas na Justiça Eleitoral até 15 de agosto. Embora tenha antecipado a convenção, o Partido Missão programou um evento em São Paulo para o dia 1º de agosto, onde apresentará Renan Santos e suas propostas, que estão reunidas em um documento chamado Livro Amarelo.
“É oficial: partido Missão me indicou como CANDIDATO à presidência da República. Junto comigo vem meu vice, Aroldo. Bora vencer e honrar essa missão!” comentou Renan em uma postagem na rede social X.
Renan Santos, de 42 anos, é um conhecido ativista político e empresário, e também uma das lideranças do Movimento Brasil Livre (MBL), que fundou em 2014. Ele participou de grandes protestos entre 2015 e 2016, incluindo a “Marcha pela Liberdade”, que percorreu o trajeto de São Paulo a Brasília.
Natural de São Paulo, Renan cursou Direito na Universidade de São Paulo (USP), mas não concluiu o curso. Ele e outros membros do MBL fundaram o partido Missão, que já conta com mais de 800 mil assinaturas, um recorde entre novas legendas no país. O registro do partido foi concedido pela Justiça Eleitoral no final do ano passado, e esta será sua primeira participação em eleições.
Renan Santos destacou que a segurança pública e o combate ao crime organizado são os principais focos de sua candidatura. Ele defende medidas como o endurecimento das penas para crimes violentos, ações para eliminar o controle territorial de facções criminosas e a implementação do que chama de “Direito Penal do Inimigo”.
Esta proposta visa tratar membros de facções como “inimigos do Estado”, eliminando a presunção de inocência para aqueles identificados como integrantes dessas organizações ou que portem fuzis. Além disso, Renan sugere a condição de reeleição de prefeitos ao cumprimento de metas, a substituição da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) por um regime de negociação direta, a extinção da Justiça do Trabalho, a criação de uma reserva nacional em criptomoedas e a aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que busca um corte radical de gastos, visando economizar R$ 3,3 trilhões em dez anos.
Segundo a pesquisa Quaest mais recente, realizada na semana passada, Renan Santos possui 3% das intenções de voto no cenário do primeiro turno.
