O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que as medidas do governo federal não são as principais responsáveis pela elevação da taxa de juros no Brasil. Em entrevista, ele destacou a importância de discutir as razões que levam os juros a estarem em patamares elevados, ressaltando que o debate fiscal é relevante, mas não é a solução imediata para o problema.
“Eu não estou procurando culpados. Porque assim, quem é menos culpado é o Ministério da Fazenda por conta da taxa de juros”, afirmou Durigan.
O ministro também mencionou que a taxa Selic elevada representa um obstáculo ao desenvolvimento econômico e agrava a situação da dívida pública do país. No mês de maio, a Dívida Bruta do Governo Geral alcançou 81,1% do PIB, o maior índice desde o início da pandemia.
“De fato, a taxa de juros, ela prejudica o investimento privado e ela prejudica a dívida pública. Hoje, o que machuca a dívida pública é a taxa de juros”, disse Durigan.
Atualmente, a taxa de juros no Brasil está em 14,25%, conforme decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) em junho. Esse índice posiciona o Brasil entre as economias com os maiores juros reais do mundo, considerando a taxa descontada da inflação projetada para os próximos 12 meses, segundo dados da Lev Intelligence e da MoneYou.
O Banco Central alertou sobre os estímulos do governo como um dos desafios para controlar a inflação e defendeu a necessidade de uma harmonia entre as políticas fiscal e monetária.
“A política fiscal tem um impacto de curto prazo, majoritariamente por meio de estímulo à demanda agregada”, informou o BC em ata que justificou a decisão sobre os juros.
Analistas do mercado destacam que as iniciativas do governo, como programas de crédito, podem dificultar os esforços do Banco Central para reduzir a taxa de juros. Recentemente, o governo anunciou programas de financiamento para veículos e reformas de imóveis.
“Não me parece que as políticas que a gente tem feito têm impacto macroeconômico. São ajudas setoriais pontuais e específicas”, disse Durigan.
O ministro concluiu afirmando que o governo irá adotar medidas de ajuste fiscal para limitar o crescimento da dívida pública. Ele ressaltou a importância de melhorar a situação fiscal e harmonizar as políticas monetária e fiscal.
“A preocupação da inflação é minha também”, finalizou Durigan.
