Em participação no documentário “A história da Música Paranaense”, produzido pelo portal ! (TMDQA!) e já disponível no YouTube, a cantora Karol Conká revisitou experiências de racismo vividas durante a infância e a adolescência em Curitiba (PR).
A construção da autoestima sob o preconceito
No depoimento, Conká contou que ser uma mulher negra na capital paranaense impôs barreiras desde cedo. Ela recordou conselhos recebidos em casa para reforçar a própria inteligência, uma estratégia ensinada pelos pais diante da expectativa de que sua capacidade fosse subestimada por causa da cor da pele. “É muito difícil ser preta em Curitiba. Muitas pessoas no Brasil não fazem ideia do que é isso”, declarou.
A artista relatou ainda o apoio de colegas brancos que se posicionaram contra o racismo no ambiente escolar. “Eu me unia com eles no colégio e a gente causava uma revolução ali”, afirmou, acrescentando que a luta contra a discriminação deve envolver toda a sociedade.
Episódio com livro sobre Hitler em sala de aula
Durante a entrevista, a cantora resgatou um episódio já mencionado por ela no filme “Preto no Branco: Negros em Curitiba” (2005), dirigido por Luciano Coelho e Marcelo Munhoz, do Projeto Olho Vivo. Aos 16 anos, Conká presenciou um professor levar para a sala de aula um livro relacionado a Adolf Hitler, colocando-o sobre a mesa e afirmando que “o Brasil está vacinado contra o racismo”. “Aquilo me deu uma revolta. Ali eu falei: ‘Tem que ser braba’”, lembrou.
Filha de mãe curitibana e neta de uma baiana radicada no Sul, Karol Conká contou que, por vezes, questionou a decisão da família de deixar Salvador para viver em Curitiba. Segundo ela, o enfrentamento diário ao racismo moldou parte de sua personalidade e influenciou a postura combativa que exibe na carreira artística.
Os trechos da entrevista integram a produção do TMDQA!, publicada em partes no YouTube, que busca contextualizar trajetórias de nomes da música do Paraná em diálogo com temas sociais e culturais.
